O enoturismo está a consolidar-se como uma das principais apostas do Turismo do Alentejo e Ribatejo, assumindo-se como um motor de desenvolvimento económico e territorial. Para o presidente da Entidade Regional de Turismo, José Manuel Santos, este segmento «é hoje uma das grandes portas de entrada de turistas no Alentejo».
Em entrevista ao ODigital.pt, o responsável sublinhou que «os últimos dados da Comissão Vitivinícola apontam para um crescimento das visitas às adegas, com destaque para o aumento do mercado nacional». Segundo José Manuel Santos, este dado revela que «o português já é um cliente do enoturismo do Alentejo», o que reforça a importância da procura interna para o setor.
O dirigente destacou ainda o bom desempenho em mercados internacionais, nomeadamente o brasileiro e o norte-americano, salientando que «num momento em que o consumo de vinho tem vindo a diminuir, o enoturismo está a crescer». O fenómeno, frisou, é global e confirma-se também na região, com «melhores projetos, mais alojamento integrado nas adegas e um serviço cada vez mais qualificado».
Um produto que valoriza o território
José Manuel Santos defende que o enoturismo tem desempenhado um papel crucial na fixação de visitantes em territórios rurais e menos conhecidos. «Quando encontramos um turista no interior do concelho de Avis, na Serra de São Mamede ou no Baixo Alentejo, é muitas vezes alguém que veio à procura do vinho», afirmou.
O presidente da Entidade Regional explicou que, para muitos visitantes, «a adega é o ponto de partida da viagem». Apesar de existir um pequeno segmento especializado, a maioria dos turistas «não é conhecedora profunda do vinho, mas tem no vinho a motivação para descobrir o território».
É por isso que o Turismo do Alentejo tem vindo a apostar no enoturismo como produto estratégico para os próximos três a cinco anos. «O enoturismo tem uma enorme capacidade de agregação. Junta gastronomia, agricultura regenerativa, sustentabilidade, literatura, arte contemporânea e arquitetura», disse o responsável, sublinhando que estas sinergias «criam experiências diferenciadoras que tornam o Alentejo único».
Experiências que distinguem o Alentejo
José Manuel Santos referiu que o enoturismo alentejano se distingue pela diversidade das experiências oferecidas: «Nas nossas adegas, é possível andar de balão, de jipe ou a cavalo, participar em workshops de sustentabilidade, visitar centros de arte contemporânea ou assistir a saraus literários».
Este modelo integrado, explicou, foi reconhecido por representantes internacionais da Organização Mundial do Enoturismo, que visitaram recentemente a região. «São pessoas que já conheceram adegas em todo o mundo e que destacaram o enorme interesse e a autenticidade da oferta do Alentejo», observou.
A região prepara agora a realização da Cimeira Mundial de Enoturismo, que terá lugar em Beja, nos dias 1, 2 e 3 de junho de 2026. O evento reunirá especialistas e entidades de vários países para debater o futuro do setor e reforçar a projeção internacional do Alentejo.
Sustentabilidade como prioridade
O presidente da Entidade Regional sublinhou que o futuro do enoturismo passa pela sustentabilidade e pela inovação. «Cerca de 20% da faturação dos produtores de vinho já provém de atividades turísticas, e em algumas unidades esse valor ultrapassa os 50%, se incluirmos o alojamento e a hospitalidade», revelou.
Segundo José Manuel Santos, a prioridade é «certificar as adegas na vertente turística, complementando o trabalho já desenvolvido pela Comissão Vitivinícola com o Plano de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo, atualmente na versão 2.0».
«Queremos que todo o processo, da produção à visitação, seja sustentável. Hoje, mais do que sustentabilidade, falamos em agricultura regenerativa», afirmou, destacando a visão inovadora dos produtores da região.
O dirigente concluiu que o desafio passa agora por «reforçar a notoriedade internacional, melhorar os roteiros e as rotas do vinho, e atrair mercados de maior valor acrescentado». E deixou uma certeza: «Tudo isto só será possível se o negócio à volta do vinho for sustentável. O enoturismo será, sem dúvida, um dos pilares do futuro do Alentejo».



















