José Luís Peixoto recebeu esta segunda-feira, 2 de março, o Prémio Vergílio Ferreira 2026, numa cerimónia realizada na Universidade de Évora, onde defendeu o papel da literatura num contexto marcado pela transformação digital e pelos desafios das regiões do interior.
A sessão pública decorreu na Sala de Docentes do Colégio do Espírito Santo, na Universidade de Évora. O prémio, instituído em 1997, distingue anualmente o conjunto da obra de um autor de língua portuguesa nas áreas da narrativa ou do ensaio.
Autor sublinha papel dos livros como memória e futuro
No momento de receber a distinção, José Luís Peixoto destacou a importância do reconhecimento associado ao nome de Vergílio Ferreira e à Universidade de Évora.
«Vergílio Ferreira é um enorme autor da nossa literatura recente e ter o nome dele associado àquilo que eu escrevo é uma honra», afirmou, sublinhando que dificilmente haverá um autor português contemporâneo que não tenha sido marcado pela sua obra.
O escritor, natural do Alentejo, referiu ainda o significado pessoal da cerimónia em Évora. «Évora é uma cidade que me diz muito. Este prémio vir da Universidade de Évora tem toda essa importância», declarou, associando a cidade a memórias familiares e ao seu percurso.
Distinguido pelo conjunto da obra, José Luís Peixoto recordou que publica desde os 25 anos. «Tenho 51 anos, comecei a publicar com 25 anos. São já mais de metade da minha vida com livros publicados. Ter esse reconhecimento desse trabalho e dessa consistência acaba por ser realmente um sabor muito especial», afirmou.
Questionado sobre o lugar da literatura num mundo marcado pelas redes sociais, defendeu que os livros não pertencem ao passado. «Muitas vezes, de uma forma errada, olha-se para os livros como um objeto do passado. Mas na verdade, os livros não deixam de ser um objeto do presente e seguramente também o serão do futuro, porque são um receptáculo de memória», disse.
Para o autor, essa dimensão é determinante para as regiões do interior. «É assim que se constrói a esperança que necessitamos para a nossa região, que atravessa tantos desafios, mas que através da cultura e da nossa identidade tem condições para chegar mais longe», acrescentou.
Reitora destaca ligação entre Évora, Vergílio Ferreira e o Alentejo
Na cerimónia, a Reitora da Universidade de Évora, Hermínia Vilar, enquadrou a distinção como um momento de homenagem à memória de Vergílio Ferreira e de reconhecimento da criação literária contemporânea.
«Relembrar Vergílio Ferreira é recordar um autor ímpar da nossa literatura, com muita ligação a Évora, nomeadamente através de “Aparição”», afirmou Reitora, sublinhando a presença da cidade na obra do escritor.
A responsável destacou ainda o simbolismo da escolha deste ano. «É também homenagem a um escritor com origem no Alentejo, mas que tem na verdade o mundo como fronteira», referiu, apontando o reconhecimento internacional e as traduções da obra de José Luís Peixoto.
Para Hermínia Vilar, o prémio assume igualmente uma dimensão pedagógica. «É um incentivo a que se continue a escrever e a que os nossos alunos olhem para a literatura como uma área de trabalho», afirmou, defendendo a criação literária como um dos elementos que distinguem o ser humano.
Instituído em 1997, o Prémio Vergílio Ferreira visa homenagear a memória do autor e distinguir o contributo de escritores de língua portuguesa para a literatura, reconhecendo o conjunto da sua obra.






































