O Embaixador de Portugal em Espanha, José Augusto Duarte, defendeu esta terça-feira, 11 de agosto, em Campo Maior, que os territórios junto à fronteira devem ser encarados como espaços estratégicos de ligação entre Portugal e Espanha e não como periferia do país.
José Augusto Duarte falava ao ODigital.pt durante uma visita às Festas do Povo, acompanhada pelo jornal, na qual percorreu as ruas enramadas e contactou com uma tradição que regressou a Campo Maior após 11 anos.
Para o diplomata, a capacidade das Festas do Povo para atrair visitantes espanhóis demonstra a importância que os territórios fronteiriços podem assumir nas relações entre os dois países.
«As terras de fronteira não são interior»
Questionado pelo ODigital.pt sobre o significado da presença de visitantes espanhóis nas Festas do Povo, José Augusto Duarte respondeu que «as cidades, as terras de fronteira de Portugal com Espanha não são interior».
O embaixador sustentou que estes territórios são «terras cruciais de ligação transfronteiriça entre Portugal e Espanha» e considerou que o seu desenvolvimento ultrapassa a dimensão local.
«O conhecimento, o prestígio e o desenvolvimento das terras de fronteira entre Portugal e Espanha é um desenvolvimento fundamental para o país todo», afirmou.
Na perspetiva de José Augusto Duarte, essa estratégia passa por diferentes áreas, entre as quais o turismo, a atração de investimento e a preservação das identidades das populações fronteiriças.
O diplomata considerou que «tudo o que seja o desenvolvimento do turismo, da atração de investimento, da manutenção das identidades fortes destas populações e destas terras é fundamental para o futuro do país».
Desenvolvimento da fronteira considerado estratégico
José Augusto Duarte alargou esta visão para além de Campo Maior e das localidades próximas da raia, defendendo que o desenvolvimento destes territórios deve ser encarado como uma questão nacional.
«Não apenas de Campo Maior ou de Elvas ou destas terras, é para o nosso próprio país», afirmou, acrescentando que «o desenvolvimento de fronteira é fundamental do ponto de vista estratégico para Portugal».
A presença de visitantes provenientes de Espanha foi também apontada pelo embaixador como exemplo da capacidade de atração que estas localidades podem alcançar através da proximidade entre os dois países.
Para José Augusto Duarte, «atrairmos para cá essa gente toda que vem de Espanha significa que não ficamos na periferia, ficamos no centro de qualquer coisa importante e com uma capacidade de atração de gente muito maior».
Festas do Povo representam identidade de Campo Maior
Antes de abordar a dimensão transfronteiriça, o Embaixador de Portugal em Espanha destacou a organização das Festas do Povo e o envolvimento da população na construção das ruas enramadas.
José Augusto Duarte começou por felicitar «o povo e as autoridades de Campo Maior» pela manutenção da tradição, que classificou como «singular no país» e também entre aquilo que tem observado nos vários países por onde passou.
O diplomata salientou particularmente a participação coletiva da população numa tradição construída pela própria comunidade.
«Há uma tradição em que o povo se une e produz aquilo que é a sua própria identidade», afirmou.
Segundo José Augusto Duarte, as Festas do Povo representam Campo Maior e contribuem para a sua projeção fora do território nacional, considerando que a iniciativa «lhe dá um bom nome fora de fronteiras».
A visita permitiu ainda ao embaixador conhecer presencialmente uma tradição que, como recordou nas declarações ao ODigital.pt, não se realizava em Campo Maior há 11 anos.



































