João Grilo foi reconduzido como presidente da Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL) para os próximos quatro anos.
A eleição teve lugar no passado dia 2 de dezembro, em sessão do Conselho Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), sendo um dos principais acionistas da agência.
Em declarações a’ODigital.pt, o também presidente da Câmara Municipal de Alandroal aponta prioridades claras para o novo mandato, sendo uma delas o “dar continuidade à trajetória de recuperação da agência”.
Segundo o presidente, a entidade voltou a ser útil ao território, uma vez que “os nossos parceiros podem contar com a agência”. Porém também quer “continuar a apoiar a região cada vez mais”
Aceleradora Rui Nabeiro é a aposta estruturante
O grande projeto para os próximos anos é a aceleradora de Tecnologias Críticas e Mobilidade Suave Rui Nabeiro, uma infraestrutura que considerou “fundamental para criar valor no interior”, destacou o presidente.
Desta forma vincou que a agência “está a preparar” o concurso público para o lançamento de uma obra que “queremos que seja uma entidade de atração de investimento para o Alentejo”.
ADRAL como ponte entre instituições
João Grilo descreveu a ADRAL como um eixo de ligação no território, até porque “somos um bocadinho a cola de muitos processos”, explicando que o trabalho passa por “juntar” parceiros e “alinhar projetos estratégicos”.
“Estamos constantemente a aprofundar estas relações”, nomeadamente com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, a Universidade de Évora e os Institutos Politécnicos da região.
Ainda assim, a ADRAL também quer abrir portas a novas colaborações fora da região, pois “acreditamos que parcerias com outras instituições trazem novas ideias e novos projetos”.
Já no plano transfronteiriço, a cooperação com Espanha continua a ser prioritária, nomeadamente através dos “projetos Interreg”, que considerou “muito importantes para os municípios”, referindo oportunidades em áreas como inovação, sustentabilidade e competitividade.
Sines aumenta PIB e pode mudar estatuto europeu do Alentejo
João Grilo alertou para o futuro dos fundos comunitários na região, numa altura em que se fala de que o Alentejo poderá deixar de ser uma zona de convergência na União Europeia.
“Preocupa-nos a todos, porque isso significaria perder grande parte dos fundos diretos”, afirmou, esclarecendo que esse facto, na prática, essa mudança pode representar “uma quebra de cerca de 60%” do apoio que atualmente chega à região.
A explicação está no peso económico de Sines, e principalemente do seu porto, no PIB alentejano. Esse crescimento, segundo o presidente, “não traduz a realidade de todo o território”, até porque “o Alentejo não é só Sines”, defendendo um olhar europeu mais equilibrado sobre a região.
Novo ciclo exige mais candidaturas diretas a Bruxelas
Se a perda de estatuto se confirmar, João Grilo acredita que a região terá de “ter de ser mais competitiva e procurar financiamento direto em Bruxelas”.
Nessa tarefa, o presidente realçou que a ADRAL poderá desempenhar um papel importante, mas que a agência já está a “identificar oportunidades e a criar condições para apoiar os municípios”, dizendo ainda que o objetivo é “ajudar entidades locais a preparar candidaturas mais ambiciosas”.
O presidente reconheceu que esta via não substituirá todo o apoio atual, mas considerou que pode reduzir o impacto de um eventual corte: “Temos de estar preparados para um novo quadro europeu”.



















