A Junta de Freguesia de Santiago do Escoural, no concelho de Montemor-o-Novo, denuncia atrasos e erros na distribuição de correspondência e encomendas na freguesia e em São Cristóvão, defendendo que os CTT devem encontrar uma solução que garanta regularidade e conhecimento do território.
Em declarações ao jornal ODigital.pt, o presidente da Junta de Freguesia de Santiago do Escoural, José Manuel Geraldo, afirmou que, após uma alteração recente no serviço, chegaram a verificar-se vários dias sem distribuição e voltaram a ser registados atrasos e entregas em moradas erradas.
“Uma carta do hospital não pode chegar depois da consulta ter acontecido”, afirmou o autarca, ao defender que o serviço postal deve garantir segurança e previsibilidade às populações.
A situação levou a Assembleia de Freguesia de Santiago do Escoural a aprovar, por unanimidade, uma moção que exige aos CTT a reposição urgente de um serviço de distribuição postal regular nas freguesias de Santiago do Escoural e São Cristóvão. A deliberação foi tomada na sessão ordinária de 25 de junho.
Junta relata atrasos e correspondência entregue em moradas erradas
Segundo José Manuel Geraldo, existem relatos de cartas colocadas em caixas de correio que não correspondem ao nome ou à morada dos destinatários.
O presidente da Junta explicou que, nestas situações, são por vezes os próprios moradores que procuram identificar o destinatário e entregar-lhe a correspondência. Este processo pode acrescentar vários dias ao atraso inicial.
“Não pode uma pessoa estar a receber cartas na sua caixa de correio de outra rua”, referiu, acrescentando que os atrasos podem afetar o pagamento de faturas de água, eletricidade ou telecomunicações, bem como a receção de comunicações relacionadas com consultas médicas.
O autarca apontou também problemas na entrega de vales relacionados com o pagamento de pensões. “Não pode acontecer que os vales das reformas cheguem uma semana depois de o dinheiro ter chegado ao local onde é processado o pagamento”, afirmou José Manuel Geraldo, considerando que esta situação cria constrangimentos à população.
Serviço terá ficado uma semana sem distribuição
José Manuel Geraldo afirmou que, após o fim da solução que vigorava até ao final de maio, terá existido uma semana sem qualquer pessoa a assegurar a distribuição nas duas freguesias.
“Houve ali uma semana em que não houve ninguém a fazer essa distribuição”, declarou o presidente da Junta.
Posteriormente, segundo o autarca, foi colocado no serviço um novo distribuidor que não conhecia o território, situação que considera estar na origem de parte das dificuldades registadas.
Santiago do Escoural e São Cristóvão abrangem, em conjunto, uma área próxima dos 300 quilómetros quadrados, marcada pela dispersão de localidades, montes e outros núcleos habitacionais.
“Estamos a falar de uma dispersão muito grande e é preciso que alguém conheça a zona para poder fazer um trabalho que sirva, de facto, as populações”, afirmou.
Para José Manuel Geraldo, a aprendizagem do território pode demorar vários meses. “Não é qualquer pessoa que venha de outro local, que não conhece os nomes, as pessoas e os caminhos, que vai conseguir fazer o serviço”, acrescentou.
Junta quer regresso do anterior distribuidor
De acordo com José Manuel Geraldo, a distribuição funcionou com regularidade durante cerca de dois anos, período em que o serviço foi assegurado por um profissional residente na zona e conhecedor do território.
“As coisas correram muito bem e toda a gente estava satisfeita, porque as reformas chegavam a tempo e horas”, afirmou o presidente da Junta.
O autarca esclareceu que o distribuidor não abandonou o serviço. “Essa pessoa não abandonou. O contrato dos CTT com a empresa terminou e, com isso, terminou também o contrato com aquele prestador de serviços”, explicou.
A Junta de Freguesia defende agora que os CTT ponderem a contratação direta desse profissional, por considerar que já demonstrou capacidade para assegurar a distribuição de correspondência e encomendas.
“Temos uma pessoa disponível, que conhece o terreno, conhece as pessoas e conhece o trabalho”, afirmou José Manuel Geraldo, acrescentando que o objetivo é garantir “um serviço de qualidade” às duas freguesias.
O presidente da Junta levantou ainda dúvidas sobre o modelo de subcontratação utilizado na distribuição postal. “Quem está no fim da cadeia é que fica com todos os custos”, considerou, embora tenha reconhecido não dispor dos valores concretos dos contratos.
Moção enviada aos CTT, ANACOM e Assembleia da República
Na moção aprovada por unanimidade, a Assembleia de Freguesia manifesta desagrado com a situação, exige medidas urgentes aos CTT e reconhece o trabalho desenvolvido pelo distribuidor que assegurou o serviço até ao final de maio.
O documento será enviado ao Conselho de Administração dos CTT, à Autoridade Nacional de Comunicações, à Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, à Junta de Freguesia de São Cristóvão e aos grupos parlamentares da Assembleia da República.
A Assembleia de Freguesia afirma que continuará a acompanhar a situação até ser garantido um serviço postal regular nas duas freguesias, defendendo que a população dos territórios rurais deve ter acesso à mesma qualidade de serviço prestada nos centros urbanos.
Os CTT deverão ser confrontados com as situações relatadas pela Junta de Freguesia, nomeadamente os atrasos, os erros na entrega de correspondência e a alegada interrupção temporária da distribuição.




















