A Universidade de Évora recebeu a conferência internacional «A Arte das Iluminuras Renascentistas – António de Holanda, as suas Artes e Ciências», que decorreu no Auditório 131 do Colégio do Espírito Santo.
A iniciativa realizou-se no âmbito do projeto ROADMAP – Research On António de Holanda Miniatures Artistic Production e reuniu especialistas nacionais e internacionais de história da arte, química e ciência da conservação, que apresentaram resultados de uma investigação pioneira sobre a obra de António de Holanda, iluminador flamengo que se estabeleceu em Portugal no início do século XVI e se destacou como miniaturista da corte de D. Manuel I.
Na sessão de abertura, António Candeias, Diretor do Laboratório HERCULES da Universidade de Évora, destacou a importância da colaboração: «Este encontro representa a nossa prática habitual: trabalhar de forma colaborativa, valorizar os inputs dos parceiros envolvidos, com o objetivo de alcançar melhores resultados».
Também Pedro Flor, professor na Universidade Aberta e presidente da Associação Portuguesa de Historiadores da Arte, sublinhou o cruzamento de saberes: «Unir história de arte e química, ver a história de arte com outros olhos, cruzar estas fronteiras e unir diversas perspetivas de análise é, sem dúvida, o maior ganho que teremos deste encontro».
O projeto ROADMAP, coordenado por Catarina Miguel, investigadora do Laboratório HERCULES e da Cátedra CityUMacau em Património Sustentável da Universidade de Évora, foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e envolveu um consórcio transnacional de investigação. O estudo incidiu sobre oito obras atribuídas a António de Holanda, entre as quais o Atlas Miller (1519), considerado uma ferramenta de alta diplomacia do período manuelino.
As análises realizadas permitiram identificar a excelência dos materiais utilizados, bem como detalhes cartográficos surpreendentes, como a representação de povoações na costa brasileira apenas 19 anos após a sua descoberta, além de referências a territórios africanos e asiáticos sob domínio português. Uma das primeiras campanhas científicas decorreu na Biblioteca Nacional de França e recorreu a métodos in situ e não invasivos.
A conferência incluiu ainda uma visita à Biblioteca Pública de Évora, onde está patente a mostra temporária «Iluminar ao tempo de António de Holanda». A exposição reúne dois códices e um incunábulo estudados por investigadores do CIDEHUS e do Laboratório HERCULES.



















