O Relatório de Análise dos Registos das Interrupções da Gravidez, publicado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), apresenta dados relativos ao ano de 2023, com destaque para o Alentejo, onde foram realizadas 190 interrupções da gravidez por opção da mulher nas primeiras 10 semanas. Este número corresponde a 1,1% do total nacional, fixado em 17.124 casos.
A Região de Saúde do Alentejo manteve uma das mais baixas incidências de interrupções no país. Por comparação, Lisboa e Vale do Tejo registou a maioria das intervenções, concentrando 58% dos casos. As restantes regiões apresentaram percentagens superiores à do Alentejo, com o Norte (21,2%) e o Centro (11%) em maior destaque.
A região na qual se verificou a maior diferença foi a RS do Alentejo, onde, das 696 mulheres com residência nesta região, apenas 190 realizaram a sua IG em estabelecimentos de saúde da mesma região. Este dado reflete uma tendência de deslocação para outras regiões, como Lisboa e Vale do Tejo, para acesso aos cuidados necessários.
Em termos sociodemográficos, o grupo etário predominante para a realização destas interrupções situa-se entre os 20 e os 34 anos, com especial incidência na faixa dos 25 aos 29 anos. A média de idade das mulheres que recorreram a este procedimento foi de 28,5 anos, alinhada com os valores nacionais.
O relatório evidencia ainda que 89,9% das mulheres adotaram um método contracetivo após a interrupção da gravidez. Entre as opções preferidas, destacaram-se os métodos de longa duração, cuja utilização cresceu 1,1 pontos percentuais em relação ao ano anterior, apesar de uma ligeira diminuição global na adesão a todos os métodos.
No Alentejo, 42,6% das mulheres que realizaram interrupções viviam em regime de coabitação. Quanto à situação laboral, verifica-se que as principais categorias reportadas foram “Trabalhadores não qualificados”, “Pessoal Administrativo e de Serviços” e “Estudantes”, refletindo as dinâmicas económicas da região.
A análise da evolução temporal demonstra que, embora a tendência decrescente das interrupções observada desde 2011 tenha sido revertida em 2022, o aumento de 2023 foi significativamente menor (+3%) quando comparado ao crescimento de 15,9% registado no ano anterior. Esta estabilização é notória no Alentejo, onde os números se mantiveram consistentes.
O relatório sublinha a importância do registo e monitorização das interrupções da gravidez para a promoção da saúde reprodutiva e para a implementação de políticas públicas mais eficazes. Estas análises permitem identificar áreas prioritárias de intervenção, assegurando os direitos das mulheres e a melhoria dos cuidados prestados na região do Alentejo e em todo o país.


















