No dia 10 de fevereiro de 2026, assinala-se o Dia da Internet Mais Segura, uma data que convida a uma reflexão profunda sobre os riscos emergentes do ambiente digital. Para além das ameaças mais conhecidas, como o roubo de dados ou o cibercrime tradicional, há hoje perigos mais difusos e difíceis de identificar. Um dos mais relevantes é o crescimento da influência digital no domínio financeiro, exercida sobretudo nas redes sociais por influencers financeiros que, muitas vezes, atuam sem enquadramento legal, sem supervisão e sem a responsabilidade proporcional ao impacto que têm sobre milhares de seguidores.
Este fenómeno ganha especial relevância junto dos jovens. Trata-se de uma geração altamente conectada, exposta desde cedo a conteúdos digitais personalizados e consumidos a um ritmo muito acelerado. A confiança depositada em criadores de conteúdo, reforçada pela proximidade e pela perceção de autenticidade, substitui frequentemente uma análise crítica e rigorosa. A popularidade passa a funcionar como selo de credibilidade, mesmo quando não existe formação técnica, certificação profissional ou transparência sobre interesses comerciais.
O discurso dominante destes perfis assenta, muitas vezes, em narrativas de sucesso individual, promessas de independência financeira e ganhos rápidos. A complexidade dos mercados financeiros é reduzida a mensagens simples e emocionalmente apelativas, onde o risco é minimizado ou omitido. Para muitos jovens, que ainda estão a construir referências sólidas e a desenvolver o seu conhecimento financeiro, esta simplificação pode ser enganadora e conduzir a decisões precipitadas, com consequências sérias.
As criptomoedas são um exemplo paradigmático desta realidade. Frequentemente apresentadas como uma alternativa inevitável ao sistema financeiro tradicional, surgem associadas a promessas de elevados retornos e a uma ideia de oportunidade única. Contudo, a volatilidade extrema, a falta de proteção ao investidor, a ausência de garantias e os riscos de fraude são aspetos raramente destacados. A promoção acrítica destes ativos, sobretudo por quem não está legalmente habilitado a prestar aconselhamento financeiro, representa um fator acrescido de vulnerabilidade.
Neste contexto, a atuação da DECO — Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor — assume um papel estratégico. Ao alertar para práticas enganosas, burlas digitais e desinformação financeira, a DECO contribui para equilibrar uma relação cada vez mais assimétrica entre consumidores e conteúdos digitais. A sua intervenção reforça a importância da literacia financeira e digital como instrumentos de proteção, capacitando os cidadãos para reconhecer riscos, questionar fontes e tomar decisões informadas.
A segurança digital deve ser entendida de forma abrangente. Não se trata apenas de proteger sistemas e dados, mas de salvaguardar a confiança, o bem-estar e o futuro dos consumidores. Quando a influência se exerce sem responsabilidade e a informação circula sem escrutínio, o risco deixa de ser exceção e passa a ser estrutural.
No Dia da Internet Mais Segura, é essencial afirmar que a inovação tecnológica deve caminhar lado a lado com a ética, a regulação e a educação. Promover um ecossistema digital mais transparente e responsável é uma tarefa coletiva, que envolve plataformas, reguladores, entidades de defesa do consumidor e a sociedade em geral. Só assim será possível garantir que a influência digital não se transforma num novo fator de exclusão ou prejuízo, mas sim numa verdadeira ferramenta de capacitação e autonomia dos cidadãos.

