A construção de um hotel no terreno destinado à Academia de Futebol de Évora é uma das soluções que estão a ser analisadas para permitir a concretização do projeto, atualmente sem financiamento suficiente para avançar.
O presidente da Associação de Futebol de Évora, António Pereira, revelou ao Jornal ODigital.pt que já existe uma manifestação de interesse por parte de um investidor envolvido num projeto semelhante no Algarve.
A proposta passaria por a Câmara Municipal de Évora autorizar a construção de uma unidade hoteleira junto ao futuro complexo desportivo. Em contrapartida, o promotor ficaria responsável pela execução das infraestruturas pretendidas pela associação.
«A Câmara de Évora, no terreno que está previsto para fazer a academia, deixa fazer um hotel. O hotel faz-nos a academia, porque só temos 600 mil euros para fazer a academia e, portanto, precisamos de algum investidor que faça aquilo», explicou António Pereira, à margem das comemorações dos 100 anos da Associação de Futebol de Évora.
Investidor está ligado a projeto no Algarve
Embora não tenha identificado o possível promotor, António Pereira adiantou que a entidade já se encontra envolvida na construção de infraestruturas para a Associação de Futebol do Algarve.
«Já tenho um feedback de alguém que está interessado nisso, porque vai fazer um no Algarve», revelou.
Segundo o dirigente, o projeto algarvio contempla a construção de três campos de futebol, um modelo que poderá ser adaptado às necessidades existentes em Évora.
«Se vai fazer três campos de futebol, também pode fazer um campo de futebol a nós, um pavilhão e pronto», afirmou.
A proximidade do novo estádio do Juventude Sport Clube é apontada por António Pereira como um dos fatores que poderão tornar a instalação da unidade hoteleira viável.
«Já está lá o campo do Juventude ao lado. É fácil, portanto, fazer ali um hotel», considerou, acrescentando que o equipamento poderia acolher as equipas que se deslocassem à cidade: «As seleções instalam-se ali, jogam no campo do Juventude.»
O presidente da associação não avançou valores para o investimento, prazos para a apresentação de uma proposta ou informações sobre eventuais negociações com a Câmara Municipal de Évora.
Academia continua na «situação zero»
Apesar dos contactos realizados, António Pereira reconheceu que o projeto continua sem avanços no terreno. «A academia está na situação zero», afirmou quando questionado pelo Jornal ODigital.pt.
O responsável indicou que a Associação de Futebol de Évora dispõe de 600 mil euros para o projeto, mas considera necessária a entrada de um investidor para assegurar a restante intervenção.
«A Câmara de Évora também não tem dinheiro para o fazer. Portanto, isto tem que se arranjar alguma forma de o fazer», declarou.
O projeto inicialmente apresentado previa um campo de futebol, um campo de futebol de praia, um pavilhão e espaços de apoio, representando um investimento estimado em cerca de dois milhões de euros.
Universidade de Évora é outra possibilidade
A associação admite igualmente uma solução que envolva a Universidade de Évora e os terrenos localizados junto ao novo Hospital Central do Alentejo.
António Pereira referiu que a universidade necessita de um campo de futebol e de um pavilhão para as áreas relacionadas com o desporto e a formação na saúde, o que poderá abrir caminho a uma utilização partilhada das infraestruturas.
Esta alternativa é, contudo, encarada pelo dirigente como mais demorada. «O problema é que aquilo é Estado. Para mim, demora anos a fazer e eu não posso esperar esses anos todos», justificou.
«Há várias hipóteses», resumiu António Pereira, deixando a prioridade na solução que envolve o investimento privado: «Estamos a tentar isto. Portanto, vamos ver se conseguimos lá chegar.»
Protocolo assinado em 2024 não foi executado
A Academia de Futebol de Évora foi anunciada em 2024, após a assinatura de um protocolo entre a associação e a Câmara Municipal, no âmbito do programa da Federação Portuguesa de Futebol “Uma Associação, Uma Academia”.
A obra chegou a ser avaliada em cerca de dois milhões de euros e contava com uma comparticipação de 600 mil euros da Federação Portuguesa de Futebol.
Em maio de 2025, António Pereira anunciou que o projeto estava parado, atribuindo a situação à falta de financiamento municipal. O então presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, respondeu que o aumento dos custos tinha alterado as condições inicialmente acordadas.
Em setembro deste ano, o vice-presidente da autarquia, Jerónimo José, confirmou ao Jornal ODigital.pt que o protocolo anterior não chegou a ser cumprido e admitiu que o projeto poderá ser retomado «eventualmente noutros termos».
















