A criação de um novo polo ligado à Aeronáutica e ao Aeroespacial em Évora pode contribuir para a retenção de jovens, a criação de emprego qualificado e o desenvolvimento económico da região, considerou a secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, após a celebração dos protocolos entre a Universidade de Évora, a Câmara Municipal e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, Helena Canhão afirmou que o espaço e a aeronáutica são atualmente “setores cada vez mais importantes a vários níveis”, apontando a soberania, a indústria e a capacitação de recursos humanos entre as áreas em que assumem relevância.
A governante considera que a presença de atividade industrial ligada ao setor e a possibilidade de reforçar a formação de jovens em Évora podem criar condições para desenvolver uma área de especialização com impacto na economia regional.
“Temos aqui nesta região de Évora” condições para “capacitar cada vez mais jovens nesta área do aeroespacial”, afirmou ao Jornal ODigital.pt, acrescentando que este desenvolvimento pode permitir a criação de “salários mais altos”, por se tratar de uma área especializada.
Aeroespacial pode dinamizar outras áreas económicas
Helena Canhão destacou também o efeito que a Aeronáutica e o Aeroespacial podem ter noutros setores tecnológicos.
Segundo a secretária de Estado, esta área “tem a vantagem de, à sua volta, desenvolver muitas outras indústrias”, referindo, entre outros exemplos, as comunicações e as áreas relacionadas com o clima e deteção, em articulação com competências como as existentes no IPMA.
Para a governante, esta capacidade de ligação entre diferentes áreas pode fazer do setor “um motor” para a economia da região.
Governo prepara prioridades de financiamento para investigação e inovação
Questionada pelo Jornal ODigital.pt sobre a possibilidade de existirem apoios específicos para estas áreas, Helena Canhão explicou que estão atualmente a ser definidas as prioridades nacionais para investigação e inovação.
A secretária de Estado adiantou que a Agência de Inovação e Investigação deverá ter um contrato-programa entre 2027 e 2031 e que está também em preparação o próximo Programa-Quadro Europeu para o período de 2028 a 2034.
Segundo Helena Canhão, a definição dos domínios estratégicos terá impacto direto nas futuras linhas de financiamento.
“Esta definição dos domínios estratégicos é muito importante porque depois há linhas de financiamento próprio para estas áreas”, afirmou ao Jornal ODigital.pt.
A governante indicou que as áreas aeroespacial e espacial, a digitalização, a inteligência artificial e a energia estão entre os domínios que estão a ser reconhecidos como prioritários, tanto em Portugal como a nível europeu.
“São áreas que estão a ser reconhecidas como prioritárias e, portanto, haverá depois linhas de financiamento associadas a estas prioridades”, acrescentou.
Conhecimento e inovação como instrumentos de desenvolvimento
Helena Canhão enquadrou os dois protocolos numa estratégia assente na cooperação entre administração local, academia e instituições científicas.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, a secretária de Estado defendeu que a articulação entre diferentes instituições é necessária para reforçar o papel do conhecimento e da inovação no desenvolvimento regional.
“É muito importante que o nosso país cada vez mais se centre no conhecimento e na inovação, porque é o conhecimento e a inovação que são os motores de desenvolvimento para uma cidade como Évora e para esta região”, afirmou.
A governante destacou ainda a importância da ligação entre a Universidade de Évora, a Câmara Municipal e o IPMA, sublinhando o papel da academia e das instituições científicas na criação de novas oportunidades.
Reter jovens e emprego qualificado em Évora
A retenção de talento foi outro dos aspetos apontados por Helena Canhão.
A secretária de Estado considera que Évora reúne condições para captar e manter jovens e trabalhadores qualificados, embora a proximidade a Lisboa possa também facilitar a saída de pessoas da região.
“É muito importante nós atrairmos cada vez mais talento e, sobretudo, retermos pessoas”, afirmou ao Jornal ODigital.pt.
Segundo Helena Canhão, o objetivo deve passar por criar condições para “reter cada vez mais jovens” e manter na região “empregos qualificados”, utilizando a Universidade como um dos elementos desse processo e contando com a participação da Câmara Municipal.
Os protocolos agora celebrados preveem a utilização de instalações da Câmara Municipal e do IPMA pela Universidade de Évora, integrando o desenvolvimento do futuro Polo de Aeronáutica e Aeroespacial e reforçando a articulação entre formação superior, investigação, infraestruturas científicas e território.
















