Grândola: Presidente da CAP alerta para as “regiões de montanha afectadas pelas alterações climáticas e pelo abandono do território, o montado está a desaparecer (c/som)

A localidade de Grândola, no Litoral Alentejano, recebe esta quarta-feira (17 de Abril) a 2ª conferência do ciclo sobre Gestão Florestal, Território e Riscos Naturais que a CAP tem vindo organizar, iniciativa a que o Presidente da República se associa com a sua presença em Grândola.

Intitulada “Montados, Sobreirais e Azinhais”, reúne dezenas de agricultores, bem como outras entidades ligadas a este sector agrícola.

ODigital.pt falou com o Presidente da CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal,Eduardo Oliveira e Sousa, que explicou que “trazemos hoje aqui um grito de alerta em que é necessário duas coisas. Em primeiro lugar, a sociedade em geral conhecer a importância que têm na manutenção do montado e da floresta em geral, os seus proprietários e os seus produtores. Os seus gestores do território. Em segundo lugar, pedir a intervenção do senhor Presidente da República no sentido de pressionar o governo para a montagem de uma ajuda especifica para salvar os montados porque não basta fazer acções pontuais.”

Eduardo Oliveira e Sousa, realça também que “as alterações climáticas trazem-nos uma realidade nova que já tem conhecimento suficiente para sabermos que é necessário uma acção diferente. Existe uma dificuldade muito grande relacionada com o abandono do território, por várias consequências, várias causas, que deram origem a um território hoje com menos pessoas, menos presença de animais e uma mortalidade do montado a avançar a galope deixando atrás de si um território sem alternativas. E isso precisa de ter um olhar específico. E portanto toda a sessão é de volta da técnica e da mensagem política. No final para motivar o governo a salvarmos e mantermos os nossos montados no futuro, em particular nas regiões de montanha, que como hoje aqui observámos, as situações se agravam. Não há aqui uma atitude de estamos desgraçados, nada disso. Há uma atitude de precisamos de ajuda, necessitamos de crescer para um patamar que desconhecemos qual é e não estamos capitalizados para o fazer sozinhos. E a sociedade tem de perceber que a floresta é um bem de todos, mas tem dono e agentes que estão no local e que têm de ser enquadrados na solução desse futuro que desejamos.”

Questionado se o Montado poderá estar em risco a medio e longo prazo, o Presidente da CAP afirma que “em determinadas zonas, sim. Aliás já visível em vastas zonas da Serra de Grândola, e quem diz Serra de Grândola diz Serra de Portel ou Serra do Caldeirão. Ou seja, regiões de montanha afectadas pelas alterações climáticas e pelo abandono do território, o montado está a desaparecer. Por outra, o sobreiral e o azinhal está a desaparecer. A alternativa é não existente porque não há possibilidade de transformar essas zonas em zonas produtivas de outra coisa qualquer e por isso é preciso encarar isto de frente para fazer regressar essas zonas aquilo que se pretende, que é a manutenção do montado.”

Instado sobre as culturas intensivas e a sua relação com o possível desaparecimento do Montado, o dirigente afirma que “não creio que isso seja uma realidade relacionada com o azinhal e o sobreiral. Por uma razão simples, é proibido fazer abate de árvores vivas e por isso transformar um sobreiral numa outra qualquer cultura é puramente proibido. Se alguém o faz é um caso de polícia que tem de ser objecto de uma repreensão e acção concreta.”

No entanto o Presidente da CAP não quis comentar mais o assunto, dizendo que “em termos de culturas intensivas não é o assunto que estamos hoje aqui a debater, poderá ter a sua análise objectiva mas é um problema, ou não é um problema é uma questão relacionada com o desenvolvimento do regadio que era bom que existisse também aqui nesta região, algum desenvolvimento dessa área. Não obrigatoriamente para culturas intensivas mas também para culturas intensivas devidamente colocadas em zonas onde o ordenamento dessas próprias culturas é também fundamental. Nada é incompatível. Não podemos dizer agora que somos contra as culturas intensivas, há que identificar até onde elas podem ir e onde devem ser instaladas. Mas hoje estamos a tratar de sobreiros e azinheiras e isso não tem nada de intensivo.”