Os distritos de Beja, Évora e Portalegre registaram cinco denúncias por burlas através da simulação de acidentes de viação durante o primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados pela Guarda Nacional Republicana (GNR).
Beja concentrou três ocorrências, enquanto Évora e Portalegre contabilizaram uma denúncia cada. No conjunto dos três distritos, os cinco casos representam 16,7% das 30 denúncias registadas pela GNR em todo o país entre janeiro e junho.
Durante todo o ano de 2025, o Alentejo tinha registado apenas uma ocorrência, no distrito de Évora. Embora os períodos não permitam uma comparação direta, os dados mostram que Beja e Portalegre, sem casos no ano passado, já surgem com denúncias em 2026.
Beja entre os distritos com mais denúncias
Com três ocorrências, Beja integra o grupo dos distritos com o segundo maior número de denúncias no primeiro semestre, juntamente com Porto e Viseu. Faro lidera a incidência nacional, com seis casos, seguido de Lisboa, com quatro.
A nível nacional, as 30 denúncias representam um aumento de 15,4% face às 26 contabilizadas entre janeiro e junho de 2025.
A GNR não divulgou os prejuízos sofridos pelas vítimas em cada distrito, pelo que não é possível determinar o impacto financeiro das burlas no Alentejo.
Prejuízos aproximam-se do total de 2025
As burlas provocaram prejuízos de 72 540 euros nos primeiros seis meses deste ano, valor que corresponde a 93,6% dos 77 480 euros perdidos pelas vítimas durante todo o ano de 2025.
O prejuízo mais elevado numa única ocorrência atingiu os 15 450 euros, acima dos 15 mil euros registados no caso de maior valor no ano passado.
Segundo a GNR, o agravamento dos prejuízos está relacionado com novos métodos utilizados pelos suspeitos, incluindo o acesso a cartões e códigos bancários. O valor médio por denúncia passou de cerca de 1 313 euros em 2025 para 2 418 euros no primeiro semestre deste ano.
Suspeitos seguem vítimas à saída de parques de estacionamento
O esquema começa habitualmente quando os suspeitos seguem um condutor à saída de um parque de estacionamento, sobretudo nas imediações de superfícies comerciais. Recorrem depois a sinais de luzes e avisos sonoros para levar a vítima a parar.
Durante a abordagem, alegam que o condutor embateu no veículo em que seguem e apontam para riscos, espelhos partidos ou outros danos já existentes. Os suspeitos podem fazer-se acompanhar por mulheres e crianças para transmitir uma aparência de normalidade e reforçar a versão apresentada.
A vítima é depois pressionada a pagar imediatamente, sob o argumento de que é necessário evitar a intervenção policial ou a perda de benefícios associados ao seguro. Em alguns casos, os lesados são acompanhados até caixas multibanco para efetuarem levantamentos.
Terminais portáteis usados para obter cartões e códigos
A GNR alerta ainda para a utilização de terminais de pagamento portáteis. Os suspeitos dissimulam o equipamento para observarem o código PIN introduzido pela vítima e trocam o cartão bancário por outro semelhante.
Depois de ficarem na posse do cartão verdadeiro e do respetivo código, realizam levantamentos ou outras operações bancárias.
Os condutores com mais de 60 anos são, segundo a Guarda, escolhidos deliberadamente pelos burlões, que exploram o receio de consequências legais, o sentimento de culpa e uma eventual menor familiaridade com os meios de pagamento eletrónicos.
GNR recomenda contactar de imediato as autoridades
A Guarda recomenda que os condutores nunca façam pagamentos imediatos no local e protejam os seus dados bancários. Perante um alegado acidente, devem fotografar os veículos e os danos, solicitar a documentação da outra parte e preencher a declaração amigável ou contactar a seguradora.
“Nunca efetue pagamentos imediatos no local”, salienta a GNR, que aconselha ainda os cidadãos a contactarem de imediato as autoridades perante qualquer abordagem suspeita.
As situações de burla podem ser comunicadas à GNR ou denunciadas presencialmente no posto territorial mais próximo.















