O Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) alertou esta terça-feira que 2025 já registou cerca de 60 mil hectares ardidos, defendendo que a transformação da paisagem e da gestão florestal é uma prioridade imediata.
Segundo a organização, até 15 de julho tinham sido destruídos 10 768 hectares, mas nas últimas semanas o número terá aumentado em mais 50 mil hectares. Entre os incêndios de maiores dimensões, destacam-se os que ocorreram em Arouca, Penamacor e no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Estes fogos afetaram comunidades locais e ecossistemas sensíveis, com impacto na biodiversidade, qualidade do solo e ciclo da água.
O GEOTA considera que é necessária uma mudança profunda na forma como o território é gerido, defendendo a aposta em espécies autóctones como o carvalho, sobreiro, medronheiro, castanheiro e pinheiro-bravo. Esta opção, segundo a organização, permite restaurar a biodiversidade, conservar o solo, regular ciclos hídricos e aumentar a resiliência às alterações climáticas, reduzindo o risco estrutural de incêndio.
Miguel Jerónimo, coordenador dos projetos Renature, sublinhou que a transformação da paisagem «tem de ser vista sobretudo como uma transformação social», reforçando a importância do envolvimento das populações e da integração do conhecimento local no planeamento. O responsável acrescentou que o GEOTA tem apoiado comunidades afetadas e promovido o restauro ambiental em territórios devastados.
Entre as intervenções em curso, os projetos Renature estão a atuar na serra de Monchique, na serra da Estrela e no Pinhal de Leiria. Segundo o GEOTA, já foram plantadas mais de 1,8 milhões de árvores, intervencionados cerca de 3.000 hectares e envolvidas mais de 700 comunidades e proprietários. Estas ações contam com investimento privado e parcerias institucionais.
Os testemunhos de proprietários e comunidades locais destacam o impacto positivo destes projetos. José Nascimento, da serra de Monchique, afirmou que sem o apoio do GEOTA não teria conseguido replantar os terrenos após o incêndio de 2018, agora ocupados apenas por espécies autóctones. Também Nuno Lourenço, representante da Junta de Freguesia de Cortes do Meio, referiu que a comunidade está «comprometida em dar continuidade ao projeto iniciado em conjunto com o GEOTA» na serra da Estrela.
Para além da reflorestação, a organização promove ações de voluntariado com escolas, empresas e comunidades, fomentando a participação social na recuperação das paisagens. O GEOTA conclui que o país não pode esperar pelo próximo verão para agir, defendendo que «o tempo da prevenção, do planeamento e da recuperação é agora».



















