A Galp admite que a conclusão das negociações com a Moeve para a combinação dos negócios de refinação, petroquímica e comercialização de combustíveis deverá acontecer no quarto trimestre deste ano. A operação inclui a refinaria de Sines, considerada um dos ativos estratégicos da empresa em Portugal.
Em declarações à Lusa, a co-presidente executiva da Galp, Maria João Carioca, explicou que, apesar da empresa pretender concluir o processo “quanto antes”, a dimensão e a complexidade da operação tornam mais provável que o acordo fique fechado entre outubro e dezembro.
Refinaria de Sines faz parte do projeto ibérico
O acordo em negociação resulta de um memorando de entendimento não vinculativo entre a Galp e a Moeve e prevê a integração dos ativos de refinação, petroquímica e comercialização das duas empresas na Península Ibérica.
Do lado português, o negócio inclui a refinaria de Sines, enquanto em Espanha entram as refinarias da Moeve localizadas em Huelva e Cádis.
Segundo Maria João Carioca, o adiamento da conclusão do processo não está relacionado com qualquer problema específico envolvendo a refinaria alentejana.
“Não existe nenhum motivo que não seja a dimensão e a complexidade do negócio”, afirmou a responsável à Lusa, acrescentando que o trabalho entre as duas empresas continua “muitíssimo alinhado” e “muitíssimo produtivo”.
A gestora explicou que continuam em curso análises financeiras, jurídicas e contratuais, além da avaliação de ativos distribuídos por várias regiões do mundo, incluindo operações na América do Norte, América Latina e África.
Governo acompanha operação devido à importância estratégica de Sines
A inclusão da refinaria de Sines no negócio tem motivado a atenção do Governo português.
No início de julho, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, revelou que o Executivo está a estudar mecanismos legais que permitam garantir que a refinaria permanece em Portugal e continua apta a assegurar o abastecimento prioritário do país em situações de crise.
A governante indicou que estão a ser analisadas várias soluções jurídicas, tendo em conta que os acionistas da Moeve são fundos de investimento de fora da União Europeia e que o Estado português mantém uma participação de 8,24% na Galp.
Entre os instrumentos em análise encontra-se também o futuro fundo soberano anunciado pelo Governo, embora a ministra tenha referido que essa não constitui a principal via de intervenção.
Galp diz não ter sido informada sobre eventual papel do Estado
Questionada sobre a possibilidade de a participação da Parpública na Galp vir a integrar esse fundo soberano, Maria João Carioca afirmou que a empresa não recebeu qualquer informação nesse sentido.
A responsável acrescentou ainda que a Galp também não foi contactada pelo Governo após o anúncio da criação do fundo soberano, embora mantenha um diálogo regular com o acionista público.
Maria João Carioca recordou igualmente que caberá exclusivamente ao Estado decidir o futuro da sua posição acionista na empresa, admitindo que essa participação poderá voltar ao mercado numa fase posterior, sem que exista, para já, qualquer calendário definido.




















