A Fundação da Casa de Bragança vai lançar, no próximo dia 31 de janeiro, no Paço Ducal de Vila Viçosa, o livro “Quatro pintores na Bretanha e a rainha D. Amélia”, uma obra que recupera o papel do mecenato real e a ligação da Casa de Bragança à formação artística portuguesa no final do século XIX.
O lançamento, marcado para as 15h30, integra a coleção “Livros de Muitas Cousas”, que chega agora ao seu 15.º volume. A sessão contará com apresentação da doutora Patrícia Telles.
O mecenato como eixo central da obra
A publicação, da autoria de Miguel Soromenho e Ramiro A. Gonçalves, recua a julho de 1894, quando dois jovens pintores portugueses partiram de Lisboa para Paris para frequentar a École des Beaux-Arts. António Conceição Silva seguiu com uma bolsa atribuída pela rainha D. Amélia, enquanto Ezequiel Pereira foi pensionista de João Maria Ayres de Campos.
Depois do período de formação na capital francesa, os dois artistas instalaram-se em Pont-Croix, na Bretanha, juntamente com Eduardo de Moura e José Raphael, pintores do Porto. Na época, aquela vila atraía criadores vindos de vários países.
Para o Presidente do Conselho de Administração da Fundação da Casa de Bragança, João de Azevedo, este livro sublinha não apenas a trajetória dos artistas, mas sobretudo a importância dos apoios que tornaram possível esse percurso.
«Estamos a falar de um conjunto de pintores que foi para França, num movimento em que os portugueses procuravam ir além-fronteiras e ir buscar aquilo que aqui não havia», afirmou, explicando que a obra permite enquadrar esse tempo como um momento em que se procurava conhecimento fora do país, quer na arte quer noutras áreas.
O responsável destacou ainda o papel da rainha e da Casa Real nesse processo: «Dona Amélia e a família Real foram uns dos mecenas», recordando que houve também outros patrocinadores ligados à época.
Preservar memória e refletir sobre cultura
Segundo a Fundação, o objetivo da obra passa por caracterizar o ambiente de formação destes pintores e rastrear as obras produzidas durante a permanência na Bretanha, enquadrando-as num tardo-naturalismo internacionalizado.
João de Azevedo sublinhou que a edição procura também lançar uma reflexão mais ampla sobre o valor do mecenato cultural: «Importa refletir sobre a importância daqueles que se preocupam em criar condições para que outras áreas floresçam».
Para o presidente, esta dimensão faz parte da missão de quase 93 anos da instituição, que continua a trabalhar para divulgar o legado deixado por D. Manuel II.
«A Fundação sempre teve esse objetivo: dar a conhecer, dar a fruir às pessoas aquilo que D. Manuel nos deixou, não só do ponto de vista físico, mas também da imagem e da memória», afirmou.
Uma coleção que continua a crescer
O dirigente acrescentou que esta coleção continuará a ser desenvolvida, explorando vários temas associados à história da Casa de Bragança.
«É uma história que faz parte da história de Portugal. A Casa de Bragança é um dos elementos da História de Portugal», referiu, defendendo que preservar essa memória significa lembrar também “a grande família” que viveu à volta da Casa, desde reis a artistas e trabalhadores da terra.
Após a apresentação do livro, terá lugar uma visita comentada à exposição temporária “Amélia de Orléans e de Bragança, o espólio da Rainha”, patente no Museu Biblioteca da Casa de Bragança até agosto.







































