A Câmara Municipal de Fronteira tem em curso o procedimento para a reabilitação e adaptação ao tráfego pedonal da ponte antiga sobre a Ribeira Grande, numa empreitada com preço-base de 872 mil euros, acrescido de IVA, e prazo de execução de 365 dias.
A intervenção incide sobre a ponte existente ao quilómetro 41+406 da antiga EN245, estrutura que ficou submersa durante a cheia de 13 de Dezembro de 2022 e que, desde então, permanece interdita ao tráfego rodoviário e pedonal.
O projecto é distinto da futura nova ponte rodoviária sobre a Ribeira Grande, cuja construção foi reconhecida pelo Governo como ação de relevante interesse público. Essa nova travessia será executada a montante da ponte existente e destina-se a restabelecer a ligação rodoviária da EN245 entre Fronteira e Alter do Chão.
Ponte antiga será destinada a peões e bicicletas
De acordo com a memória descritiva do projecto de execução, a intervenção na ponte antiga tem como objectivo permitir a circulação pedonal e ciclável, preservando o valor histórico e cultural da estrutura.
O documento identifica a ponte como património histórico e cultural do Município de Fronteira, referindo que a solução prevista procura preservar a sua integridade arquitectónica e manter as características originais da obra.
A ponte sobre a Ribeira Grande tem cerca de 117 metros de comprimento e uma largura mínima de 3,70 metros. O tabuleiro apoia-se em dez arcos de alvenaria mista de xisto, com vãos entre 1,50 e 9,50 metros.
Estrutura sofreu danos com a cheia de 2022
A cheia de Dezembro de 2022 provocou danos sobretudo no tabuleiro e nos guarda-corpos, situação que levou à interdição da ponte. A memória descritiva aponta ainda patologias em vários elementos da estrutura, incluindo fundações, pilares, quebra-mares, muros, hasteais, encontros, arcos e revestimento da via.
No tabuleiro, o documento refere a existência de zonas com danos significativos e em risco de colapso. Também os guarda-corpos apresentam danos, existindo zonas em que foram derrubados e arrastados pela água.
A intervenção prevista inclui a limpeza geral dos taludes e do leito da ribeira numa extensão de dez metros para montante e jusante da ponte, a reconstrução ou substituição de blocos de alvenaria, o refechamento de juntas, a injecção de material de enchimento, a reparação de rebocos e a execução de novo pavimento em lajetas de granito bujardado.
Está ainda prevista a execução de drenagem, a colocação de guarda-corpos metálicos e a instalação de sinalização vertical.
Nova ponte rodoviária avança a montante
A reabilitação da ponte antiga surge em paralelo com o processo da nova ponte rodoviária da Ribeira Grande, na EN245. O Governo reconheceu recentemente a construção dessa nova travessia como ação de relevante interesse público, permitindo a ocupação de áreas integradas na Reserva Ecológica Nacional.
Segundo o despacho publicado em Diário da República, a intervenção rodoviária será realizada a montante da ponte existente e inclui a construção da nova ponte, os acessos necessários e a ligação à rede viária.
A decisão foi justificada com a necessidade de restabelecer a ligação entre as duas margens da Ribeira Grande, assegurando a reposição das condições de circulação na EN245 e a melhoria da acessibilidade e da conectividade territorial.
A Câmara de Fronteira indicou anteriormente que a obra da nova ponte rodoviária deverá arrancar no segundo semestre de 2026. O investimento previsto ronda os cinco milhões de euros, com um prazo de execução de dois anos.
Intervenção integra estratégia para a Ribeira Grande
Além da reposição da ligação rodoviária através da nova ponte, a autarquia pretende dar uma nova utilização à ponte antiga, associando-a à mobilidade suave, ao lazer e à valorização das margens da Ribeira Grande.
A intervenção na ponte histórica integra a estratégia do Centro Ecoturístico da Ribeira Grande, que prevê a requalificação paisagística das margens e a promoção do contacto com a natureza.
O caderno de encargos da empreitada da ponte antiga prevê ainda obrigações ambientais para o empreiteiro, incluindo a gestão de resíduos de construção e demolição, a implementação de um sistema de gestão ambiental e o cumprimento das normas de segurança, higiene e saúde no trabalho.


















