A aposta conjunta dos municípios de Serpa e Mértola na Feira Agropecuária Transfronteiriça de Vale do Poço é apontada pelo presidente da Câmara de Serpa, Francisco Picareta, como um dos elementos centrais da 22.ª edição do certame e como um caminho para criar novas dinâmicas naquele território.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, Francisco Picareta salientou as “sinergias dos dois municípios” e a vontade de trabalharem em conjunto para dar “uma nova dinâmica e um novo impulso” à feira, a Vale do Poço e à população. Para o autarca, a realização do certame deve manter a ligação à tradição, mas também servir para “pensar no futuro” e criar novas formas de atrair pessoas e atividade para o território.
Vale do Poço como exemplo de coesão territorial
A cooperação entre os dois municípios assume particular importância pela própria configuração de Vale do Poço, localidade situada entre os concelhos de Serpa e Mértola.
Francisco Picareta classificou esta realidade como um exemplo de “coesão territorial” e recorreu a uma situação existente na localidade para ilustrar essa ligação: há uma habitação em que a casa pertence ao concelho de Serpa e o quintal ao concelho de Mértola.
Para o presidente da Câmara de Serpa, esta realidade torna a atuação conjunta dos dois municípios uma opção natural. “Só faz sentido promover este território em conjunto pelos dois municípios”, afirmou ao Jornal ODigital.pt.
A mesma ideia acompanha a dimensão transfronteiriça da feira. Francisco Picareta considera que Vale do Poço é um território que aproxima “dois concelhos e dois países” e onde a cooperação permite desenvolver projetos e iniciativas comuns entre autarquias, entidades, associações, empresas e populações.
“O que nos une é muito mais forte do que aquilo que nos separa”, afirmou o autarca, defendendo que o certame contribui para reforçar a cooperação, a partilha de experiências e a proximidade entre os diferentes intervenientes do território.
Organização testa alterações nesta edição
A edição deste ano trouxe também mudanças na organização do recinto. Segundo Francisco Picareta, foram introduzidas alterações na circulação dentro da feira, nas entradas e na disposição dos espaços destinados aos espetáculos.
O presidente da Câmara de Serpa explicou ao Jornal ODigital.pt que esta edição é também um momento para testar soluções e avaliar os resultados. Caso as alterações funcionem, poderão ser mantidas ou melhoradas em futuras edições; se não produzirem os resultados pretendidos, a organização admite regressar ao modelo anterior.
Feira procura valorizar produtores e economia local
Além da cooperação institucional, Francisco Picareta destacou a função da feira na promoção de quem vive e trabalha no território e dos produtos associados à região.
Queijo, mel, enchidos, pão e ervas aromáticas estão entre os exemplos referidos pelo autarca, que considera o certame um espaço para divulgar as produções locais e reconhecer o trabalho desenvolvido por produtores e empresários.
Para Francisco Picareta, a Feira de Vale do Poço representa, assim, não apenas aquilo que já existe no território, mas também o que Serpa e Mértola podem desenvolver em conjunto no futuro.
A XXII Feira Agropecuária Transfronteiriça decorre até domingo, 13 de setembro, em Vale do Poço, numa organização conjunta dos municípios de Serpa e Mértola.
















