O presidente da Junta do Centro Histórico de Évora, Francisco de Brito, confirmou a existência de um acordo entre as principais forças políticas representadas na Associação Nacional das Freguesias (Anafre) para a apresentação de uma lista única aos órgãos nacionais da associação, mantendo a tradição de consenso que tem marcado a sua história.
Em declarações ao ODigital.pt, o autarca explicou que o entendimento alcançado respeita os princípios fundadores da Anafre, sublinhando que «o partido, a força política que tem mais autarquias eleitas, portanto que ganhou as eleições autárquicas a nível de freguesias, preside ao Conselho Diretivo da ANAFRE», enquanto «o segundo partido mais votado preside à Mesa do Congresso e à Mesa do Conselho Geral».
Consenso como marca da Anafre
Francisco de Brito recordou que a associação nunca apresentou listas concorrentes em congresso eletivo, reforçando que a Anafre «funcionou sempre como uma lista unitária, porque a ANAFRE vive precisamente de consensos». Segundo o autarca, apesar das diferentes visões partidárias sobre o poder local, a associação tem sido «um palco de convergência onde esses princípios e bandeiras têm conseguido encontrar um caminho único».
Reforma legislativa e financiamento das freguesias
O tema âncora do próximo mandato será a revisão do enquadramento legal das freguesias. Francisco de Brito afirmou que se avizinha «um mandato muito exigente», tendo como missão central «uma reforma do pacote autárquico, o pacote legislativo que está na base das freguesias e que norteia a nossa actuação».
Nesse contexto, defendeu um trabalho de proximidade com o Governo, visando melhores condições financeiras para o poder local de base. «As freguesias precisam de mais financiamento, não só do financiamento directo do Estado, mas também da possibilidade de se candidatarem a fundos europeus», acrescentou.
Papel das freguesias no serviço público
O autarca destacou ainda o papel das juntas como primeira linha de contacto entre o Estado e os cidadãos. «É a Junta de Freguesia que as pessoas procuram para resolver os seus problemas, muitas vezes em áreas que extravasam completamente as competências legais», afirmou, defendendo que o Estado deve reconhecer esta função, que contribui para «um atendimento mais personalizado e para um Estado mais eficaz».
Presidência vista como reconhecimento do Alentejo
Francisco de Brito considerou que a sua escolha representa também um sinal político para a região. «O Alentejo nunca teve a presidência da ANAFRE e o Partido Social Democrata entendeu que deveria ser um autarca do Alentejo a presidir», referiu, assumindo sentir-se honrado com a confiança depositada.
O presidente da Junta do Centro Histórico de Évora lembrou ainda que o PSD conta com cerca de 1500 presidentes de junta eleitos ou integrados em coligações, sublinhando que a sua indicação para o cargo representa «uma missão» que pretende cumprir ao serviço das freguesias e do poder local.
O congresso eletivo da Anafre realiza-se nos próximos dias, devendo formalizar a lista unitária e as prioridades políticas para o próximo mandato.



















