O concelho de Viana do Alentejo recebe, até sábado, 25 de julho, a primeira edição do Festival Ressoar, uma iniciativa dedicada ao património sonoro e cultural associado aos chocalhos, aos guizos e aos sinos das torres sineiras.
Ao longo da semana, os sinos das igrejas de Aguiar, Alcáçovas e Viana do Alentejo têm ecoado diariamente ao final da tarde, numa recriação da paisagem sonora que acompanhou o quotidiano das populações do concelho.
Segundo Paulo Lima, coordenador da iniciativa, o objetivo passa por “recriar uma paisagem sonora que marcou o quotidiano das populações”, recuperando memórias relacionadas com a pastorícia, a religiosidade e a vida comunitária.
Festival ligado à Feira do Chocalho
Promovido pelo Município de Viana do Alentejo e pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, o Festival Ressoar conta com o apoio das paróquias e das juntas de freguesia de Aguiar, Alcáçovas e Viana do Alentejo.
A iniciativa está associada à Feira do Chocalho e aborda três dimensões relacionadas com este ofício: a ligação do chocalho à pastorícia extensiva, o papel do pastoreio e dos animais nas relações comunitárias e a identidade rural do interior alentejano.
O programa inclui ainda referências ao cante alentejano enquanto elemento da paisagem sonora da região.
José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, considera que o festival contribui para a afirmação turística do território.
“Num momento em que os turistas procuram cada vez mais experiências genuínas e contactos autênticos com os territórios que visitam, o Festival Ressoar desempenha um papel fundamental na afirmação do Alentejo como um destino único que proporciona uma experiência diferenciadora”, afirma.
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Luís Metrogos, salienta que “a primeira edição do Festival Ressoar reforça a aposta do Município na valorização do seu património material e imaterial, contribuindo para preservar e divulgar uma identidade cultural única”.
Fabrico de chocalhos em debate
O festival dá continuidade ao trabalho de valorização do fabrico de chocalhos, classificado pela UNESCO, em dezembro de 2015, como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente.
A programação desta quinta-feira, 23 de julho, inclui a conversa “O fabrico de chocalhos e museografia”, marcada para as 18h30, no Auditório do Paço dos Henriques, em Alcáçovas.
A sessão terá a participação de Fernando Casqueira, investigador e docente universitário, e de Fátima Farrica, historiadora do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora.
Na sexta-feira, 24 de julho, às 10h00, o mesmo espaço recebe a conferência “O Património Cultural Imaterial”, dedicada à preservação deste património e à valorização do fabrico de chocalhos.
Participam Francisco Cardoso, mestre chocalheiro da Fábrica Chocalhos Pardalinho, Hugo Guerreiro, do Município de Estremoz, Jorge Freitas Branco, antropólogo do ISCTE-IUL, Pedro Félix, do Arquivo Nacional do Som, e o historiador Luís Filipe Themudo Barata.
Municípios assinam memorando
Também na sexta-feira, pelas 20h00, será assinado o “Memorando para a Salvaguarda e Promoção Económica do Fabrico de Chocalhos”.
O documento envolve os municípios de Viana do Alentejo, Reguengos de Monsaraz, Estremoz e Cartaxo, assim como a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.
A cerimónia terá lugar no recinto da Feira do Chocalho, no Largo da Gamita, em Alcáçovas, e contará com a participação da Banda Filarmónica da Sociedade União Alcaçovense.
Carrilhão encerra programação
O Festival Ressoar termina no sábado, 25 de julho, com um espetáculo de carrilhão marcado para as 22h30, no Largo da Gamita.
O concerto reúne a carrilhanista Ana Elias, do Carrilhão de Constância, e a Banda Filarmónica da Sociedade União Alcaçovense, dirigida pelo maestro Hugo Monteiro.
A iniciativa decorre no ano em que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura destaca o movimento, a transumância, as raças autóctones e os produtos associados ao mundo rural.




















