Festival Internacional de Teatro do Alentejo regressa em formato reduzido

O Festival Internacional de Teatro do Alentejo (FITA) regressa na quinta-feira aos palcos, apesar de ‘empurrado’ para o final de abril e com uma “redução do número de países representados e municípios aderentes”, explicou hoje o diretor artístico.

Em declarações à agência Lusa, António Revez admitiu que preparar a oitava edição, que decorre entre 29 de abril e 08 de maio, “foi um desafio bem maior do que no ano passado”, quando o FITA foi cancelado, no dia de estreia, devido à pandemia de covid-19, mas a organização, a cargo da companhia Lendias D’Encantar, fez questão de que fosse presencial.

“Está a ser complicado, mas quisemos, desde o início, fazer uma edição presencial. Porque o teatro é presencial, vive do relacionamento com o público e não é uma plataforma Zoom qualquer que vai substituir esta relação”, disse António Revez.

Desta forma, o FITA vai mesmo receber 17 espetáculos de oito países, nomeadamente Espanha, Chile, Argentina, México, Cuba, República Dominicana, Moçambique e Portugal.

Beja, Aljustrel, Almodôvar, Campo Maior, Ferreira do Alentejo, Grândola, Mértola e Santiago do Cacém são os oito concelhos que irão receber as 30 apresentações agendadas.

Ainda de acordo com o programador do FITA, “está provado que os espetáculos são seguros” e, portanto, “não havia razão” para que o festival não pudesse ser realizado presencialmente.

Além disso, “os artistas e técnicos de todas as companhias convidadas serão testados” à covid-19, de forma a garantir a segurança de todos os intervenientes, incluído o público, adianta uma nota de imprensa enviada à agência Lusa.

Uma questão de segurança, que teve repercussões nos custos da organização devido ao “custo acrescido da compra dos testes”, mas também no preço das viagens, cuja aquisição foi “protelada até ao limite”, o que encareceu bastante o seu preço.

“Recebemos sempre muitas companhias da América Latina e isso levanta problemas com vistos, passagens e escalas de aviões em países que depois obrigam a que se faça uma quarentena. Além disso, temos de estar atentos à nossa legislação, mas também à dos outros países, para não sermos surpreendidos”, explicou António Revez.

Apesar das cautelas, “nada é certo nos dias que correm”, alertou o programador, lembrando que “uma pessoa pode infetar-se e o espetáculo dessa companhia ser cancelado”, ou até mesmo um dos países entrar na ‘lista negra’ da covid-19 e as companhias desse país “deixarem de poder vir”.

Nada que impeça o FITA de se realizar, até porque “ao fim de um ano de pandemia, já estamos todos ‘vacinados’, não contra a covid-19, mas sim contra os imprevistos que ela pode causar”, disse o diretor artístico.

“Quisemos, também pela experiência dolorosa do ano passado, provar que não nos deixamos abater e que não é um vírus qualquer que vai cancelar o nosso presente e o nosso futuro, além de dar um sinal de resistência ao convidar novamente uma parte das companhias que estavam programadas para o ano passado”, assumiu António Revez.

A oitava edição do FITA arranca na quinta-feira, às 14:00, com “…Num Farol…”, da Animateatro, no Cine Teatro Marques Duque, em Mértola, e com “La vida secreta de Petra Leduc”, uma apresentação dos espanhóis Efecto Lepler, às 20:00, no Teatro Municipal de Beja.

Este ano, o festival inclui um debate subordinado ao tema “O Teatro na atualidade”, a par com o lançamento do volume VI da Coleção Nova Dramaturgia Portuguesa, que contará com a presença dos autores que integram a obra, Rui Xerez de Sousa e Sandra Gomes, em 04 de maio, em Beja.

Em 2020, a sétima edição do FITA foi cancelada em 12 de março, precisamente o dia em que estava previsto o arranque de 40 sessões e espetáculos de teatro e dança de 19 companhias oriundas de 11 países em 13 concelhos alentejanos.

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