Os Centros Tecnológicos Especializados (CTE) vão “mudar completamente o ensino profissional” em Portugal, afirmou o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, esta sexta-feira, em Beja, onde inaugurou dois destes espaços na Escola D. Manuel I.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, o governante destacou o investimento nacional de quase 500 milhões de euros em mais de 400 centros, considerando que os novos equipamentos representam também uma alteração na forma como o ensino profissional é organizado e ministrado.
“O ensino profissional em Portugal tem vindo a ser cada vez mais valorizado e, com este investimento, vai ser cada vez mais uma via alternativa para os estudantes”, afirmou Fernando Alexandre, acrescentando que esta formação procura preparar os jovens para uma entrada mais direta no mercado de trabalho.
Formação pensada com as empresas
A ligação ao tecido empresarial é, segundo o ministro, uma das componentes do modelo adotado para os Centros Tecnológicos Especializados.
Fernando Alexandre explicou que os investimentos “foram feitos em parceria com as empresas” e “pensados em parceria com as empresas”, procurando responder às necessidades de qualificação identificadas no mercado de trabalho.
Durante a passagem por Beja, o ministro defendeu também que esta colaboração não deve terminar com a instalação dos equipamentos. Na sua perspetiva, as empresas devem participar no desenvolvimento dos projetos, incluindo na formação dos alunos e na atualização dos docentes.
“Essa colaboração muito estreita com as empresas é essencial”, afirmou.
O governante reconheceu que a oferta do ensino profissional nem sempre tem estado ajustada às necessidades das empresas ou às estratégias de desenvolvimento dos diferentes territórios, considerando que os novos centros podem contribuir para alterar essa realidade.
Ministro aponta empregabilidade e salários
Fernando Alexandre destacou ainda a empregabilidade dos alunos que optam pelo ensino profissional, defendendo que esta via permite desenvolver competências com aplicação direta no mercado de trabalho.
Segundo o ministro, os dados disponíveis mostram que os alunos que concluem o ensino secundário pela via profissional e ingressam diretamente no mercado de trabalho apresentam maior empregabilidade e melhores salários do que os estudantes que terminam cursos científico-humanísticos e não prosseguem estudos no ensino superior.
“É uma validação que o mercado está a fazer das competências que são adquiridas”, considerou.
O ministro relacionou também o crescimento do ensino profissional com a redução do abandono escolar, referindo que esta modalidade representa atualmente mais de 40% dos alunos do ensino secundário e permite oferecer percursos ajustados a diferentes perfis.
De 365 centros previstos para 402
Fernando Alexandre revelou ainda que o número de Centros Tecnológicos Especializados a concluir em todo o país ultrapassou a meta inicialmente estabelecida.
“Estavam 365 previstos e vão ser concluídos 402”, afirmou ao Jornal ODigital.pt, indicando que os projetos se encontram praticamente concluídos.
O ministro salientou que a execução destes investimentos colocou desafios às direções das escolas, devido à dimensão dos projetos, aos processos de contratação e à aquisição de equipamentos tecnológicos.
Na Escola D. Manuel I, em Beja, foram inaugurados dois Centros Tecnológicos Especializados, nas áreas Industrial e de Informática.
Escolas como base do desenvolvimento dos territórios
Além da transformação do ensino profissional, Fernando Alexandre associou a qualidade das escolas à capacidade de desenvolvimento e atração dos territórios.
“Não há nenhuma região que se desenvolva se não tiver boas escolas”, afirmou, defendendo que a qualidade da educação é um elemento a considerar pelas famílias quando decidem onde viver e trabalhar.
O ministro considerou, por isso, necessária a articulação entre escolas, autarquias, empresas, associações de pais e restante comunidade, embora salientando a responsabilidade das direções escolares na condução dos projetos educativos.
“A qualidade do que se faz em Beja depende das pessoas de Beja”, afirmou, acrescentando que cabe ao Ministério disponibilizar os recursos e as condições necessárias para que os projetos sejam desenvolvidos localmente.
Fernando Alexandre esteve esta sexta-feira, 11 de setembro, em Beja, numa visita acompanhada pelo Jornal ODigital.pt. Além da inauguração dos Centros Tecnológicos Especializados da Escola D. Manuel I, o programa incluiu uma passagem pela Escola Secundária Diogo de Gouveia e um encontro com docentes e trabalhadores não docentes dos dois agrupamentos de escolas da cidade.
















