Feridos graves em acidentes rodoviários “custam 6 mil M€ por ano”: “Dava para fazer um TGV à volta do país”

Operação de Páscoa com 20 mortos e 53 feridos graves expõe falhas na prevenção e custos anuais de seis mil milhões de euros.

Nesta Páscoa, segundo dados das forças de segurança, foram registados 53 feridos graves, para além dos 20 mortos, nas estradas portuguesas.

Uma operação que registou uma descida no número de acidentes, mas um aumento no número de óbitos. No entanto, a gravidade dos feridos não passou despercebida para Filomena Araújo, presidente da Associação para a Promoção de uma Cultura de Segurança Rodoviária (GARE).

Feridos graves representam impacto económico de seis mil milhões de euros por ano

Em declarações a’ODigital.pt, a presidente vincou que, para além da óbvia parte da saúde pública, estes feridos “custam, por ano, cerca de seis mil milhões de euros”.

“É muito dinheiro”, destacou, acrescentando que, a este custo se adiciona os “custos efetivos das percas” e ainda “os anos de vida perdidos”.

“Numa audiência na Assembleia da República, ouvi que o TGV Lisboa-Porto custava 5 mil milhões”, referiu Filomena Araújo, dizendo ainda que “os seis mil milhões que nos custam ao país anualmente, que é pobre, dava para fazer um TGV à volta de todo o país”.

Falta de investimento em prevenção e educação rodoviária preocupa especialistas

Desta forma, a presidente da GARE realçou que “desde 2011 que não há apoio à sociedade civil para desenvolver iniciativas no âmbito da educação para a cidadania rodoviária”, apesar de “o Fundo de Garantia Automóvel dizer que uma percentagem é para ações de prevenção”.

“Nunca abriu concursos para a sociedade civil apoiar a estratégia, não há dinheiro para a educação rodoviária, não há dinheiro para arranjar as estradas, mas há estes milhões para gastar”, disse.

Acrescendo a este facto, Filomena Araújo destacou também que “desde 2000 que não temos um plano de ação para a segurança rodoviária” e que a estratégia, “que andou a ser elaborada, não foi aprovada e devia ter entrado em vigor em 2020”.

Impacto das vítimas vai além dos números e afeta milhares de famílias

Já na parte humana, a presidente da GARE realçou que por ano, “temos milhares de vítimas graves”, porém, há também a parte familiar: “Por cada vítima grave há cerca de três familiares associados”.

“Ficam com problemas para a vida, que suportam em silêncio os problemas da reabilitação e da dor”, atirou a presidente, referindo ainda que “não há apoio psicossocial para elas e não são considerados no estatuto de vítima”.

Segurança rodoviária vista como problema social e de saúde pública

Desta forma, considerou que “também são vítimas da criminalidade rodoviária”, o que “deve ser encarado como um grande problema social e de saúde pública”.

“Não há ações concretas para o resolver”, frisou Filomena Araújo, reforçando que “há que ter respostas do Governo Central, da Assembleia da República, do poder local”, para de empenho da sociedade civil.

Assim, as vítimas “têm de ser envolvidas e apoiadas”, devendo haver “preparação para lhes responder”, nomeadamente com uma “educação continuada”.

“Não é só umas horinhas nas escolas, que só são dadas quando há um professor interessado”, concluiu a presidente.

Mais notícias

Concurso de 660 mil euros prevê reparar e modernizar semáforos no Alentejo

A Infraestruturas de Portugal (IP) abriu um concurso público, com um preço base global...

Ministro quer verbas europeias para a agricultura no próximo programa regional do Alentejo

O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, defendeu, em Beja, que o...

Bombeiros de Monforte recebem novo veículo de combate a incêndios: “Era uma necessidade absoluta”

Os Bombeiros Voluntários de Monforte receberam um novo veículo florestal de combate a incêndios,...

Presidente do COTR pede em Beja financiamento para concretizar estratégia nacional da água

O presidente do Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR), Gonçalo Morais Tristão,...

Combustíveis podem voltar a descer: Saiba quanto poderá poupar a partir de segunda-feira

Os preços dos combustíveis deverão voltar a descer na próxima segunda-feira, 5 de outubro,...

Verão de 2026 o terceiro mais quente mas normal quanto à precipitação

O verão deste ano foi o terceiro mais quente desde 1931, com uma temperatura...

Câmara da Vidigueira relança processo de candidatura do Vinho de Talha à UNESCO, após “algumas incongruências”

A Câmara da Vidigueira está a relançar o processo de candidatura da Produção de...

Montemor-o-Novo: Colisão entre dois pesados e um ligeiro de mercadorias provoca três feridos

Uma colisão entre dois veículos pesados e um ligeiro de mercadorias teve lugar na...

Segurança Social: Veja quando são pagas as pensões e os subsídios em outubro

A Segurança Social divulgou as datas previstas para o pagamento de pensões, subsídios e...