A nova configuração do recinto, a aproximação ao Santuário de Nossa Senhora D’Aires e a integração de várias iniciativas num mesmo programa são algumas das apostas da edição deste ano da Feira D’Aires para atrair diferentes públicos e reforçar o certame, segundo o presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Luís Metrogos.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, durante a inauguração da feira, o autarca explicou que as alterações introduzidas não foram feitas «só porque sim», mas com o objetivo de «melhorar a feira» e de procurar «fazer mais», «fazer melhor» e «fazer diferente».
Uma das principais mudanças passa pela disposição do recinto e pela relação visual entre o palco e o Santuário de Nossa Senhora D’Aires.
«A ideia foi alterarmos um bocadinho a configuração para que os cenários se confrontassem», afirmou Luís Metrogos ao ODigital.pt, explicando que a intenção é estabelecer uma relação entre o espaço dos espetáculos e o santuário e representar a ligação «entre o sagrado e o profano», que considera fazer parte da história das festividades.
A reorganização do recinto inclui também alterações na zona dedicada à gastronomia e na disposição dos expositores, procurando facilitar a circulação entre os diferentes espaços.
Segundo o presidente da Câmara, a estratégia passa igualmente por juntar na Feira D’Aires iniciativas como a Feira da Saúde, a Feira Franca, a Feira do Livro, o programa religioso e as atividades culturais e desportivas.
O objetivo, afirmou, é contribuir para a revitalização do certame e procurar colocá-lo «num patamar mais elevado», com a ambição de o tornar «uma das melhores feiras do Alentejo».
Desporto, escolas e diferentes públicos
Luís Metrogos destacou também a participação prevista em algumas das iniciativas incluídas na programação. Segundo o autarca, entre participantes e acompanhantes, a Festa da Malha deverá mobilizar cerca de 500 pessoas, enquanto o Grande Prémio de Atletismo conta com 110 inscritos.
Na segunda-feira, a organização pretende ainda levar ao recinto a comunidade escolar do concelho, estimando a presença de mais de 700 alunos.
«Só assim é que a feira poderá ser mais e melhor», afirmou o presidente da Câmara ao ODigital.pt, defendendo que a diversidade da programação permite chegar a diferentes faixas etárias e interesses.
Para Luís Metrogos, a Feira D’Aires deve funcionar como um espaço capaz de reunir públicos distintos.
«Que seja uma feira para todos, que alargue públicos», afirmou, enumerando áreas como o desporto, a cultura, a saúde, os livros, a tauromaquia e os jogos tradicionais como exemplos da diversidade existente no programa.
Expositores do concelho colocados no centro do recinto
A disposição dos expositores foi outra das alterações introduzidas este ano. Luís Metrogos indicou ao ODigital.pt que a edição conta com cerca de 70 expositores e explicou que a configuração foi modificada para dar maior visibilidade aos participantes oriundos do concelho.
«Tentámos privilegiar no centro aqueles expositores do concelho», afirmou, acrescentando que, apesar de todos os participantes serem considerados importantes para o certame, os expositores locais devem ter um lugar de destaque.
Organização procurou conter custos no cartaz
Questionado sobre o orçamento da Feira D’Aires, Luís Metrogos referiu que houve um aumento nos custos associados a estruturas como palcos e tendas, despesas que, segundo explicou, não foi possível reduzir.
Perante esse cenário, o município procurou conter os custos associados à programação artística.
«Tentámos ser muito modestos no cartaz e criativos, digamos assim, para que com menos conseguíssemos realmente fazer mais», afirmou ao ODigital.pt.
O presidente da Câmara destacou ainda a presença de artistas e grupos do Alentejo, incluindo o cante alentejano, considerando que estes participantes têm um papel semelhante ao dos principais nomes do cartaz por integrarem a identidade da própria feira.
Santuário apontado como aposta para o turismo religioso
A ligação entre a Feira D’Aires e o Santuário de Nossa Senhora D’Aires surge também como uma das áreas que o município pretende desenvolver.
Luís Metrogos defendeu que o santuário deve ser divulgado como referência religiosa no sul do país e considerou que a feira pode contribuir para esse objetivo.
Em declarações ao ODigital.pt, o autarca apontou a divulgação do espaço e a sua afirmação como «Grande Santuário do Sul» como uma aposta para o futuro, considerando que a realização do certame pode funcionar como um dos pontos de partida para aumentar o conhecimento do local.
«A feira, naturalmente, por todas estas matérias, traz visitantes. Muitos deles fazem também ou pretendem fazer o caminho da fé e, portanto, nesse sentido, o santuário é essencial», concluiu.
















