Federação de regantes propõe criação de projeto-piloto de energia solar

José Nuncio FENAREG

A Federação Nacional de Regantes de Portugal (Fenareg) propôs hoje a criação de um projeto-piloto de comunidades de energia solar para reduzir as emissões de carbono e os custos da energia na distribuição da água à agricultura.

Em comunicado, a federação refere que a proposta “surge na sequência do anúncio pela ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, de que pretende implementar comunidades de energia solar no setor agrícola, referindo o papel importantíssimo dos sistemas coletivos de regadio nestas estruturas“.

As comunidades de energia solar, adianta a Fenareg, “são constituídas por um conjunto de consumidores que, através de uma instalação partilhada, produzem parte ou a totalidade da energia elétrica que consomem, através de recursos renováveis, reduzindo os custos com a eletricidade“.

No modelo proposto pela Fenareg, “as associações de regantes funcionarão como polo produtor e distribuidor de energia limpa para os agricultores e a comunidade local (agroindústria, autarquias, entre outros), esta sobretudo no período de Inverno, quando as necessidades energéticas do regadio são reduzidas“, lê-se no comunicado.

A federação apela ao Governo para que a medida de instalação de painéis fotovoltaicos – Next Generation abranja os regadios coletivos e as associações de regantes, “através de um anúncio dedicado na operação 3.4.2 do PDR2020“.

De acordo com a Fenareg, “este apoio é fundamental para a implementação das comunidades de energia solar no regadio coletivo, beneficiando os agricultores e o meio ambiente“.

O presidente da Fenareg, José Núncio, refere, no comunicado, que é abastecida água a 40% da área de regadio em Portugal, ou seja, 24.000 hectares.

E suportamos custos elevadíssimos com a energia – 390 GWh/ano –, que chega a ter um peso de 75% do custo do serviço de abastecimento de água. É por isso de elementar justiça que as associações de regantes sejam incluídas nos apoios à instalação de energias limpas, podendo desta forma cumprir o seu papel no esforço coletivo para atingir a neutralidade carbónica na UE até 2050″, salienta, citado em comunicado.

A sustentabilidade energética do regadio é prioritária para as associações de regantes“, refere a federação, que aponta que “um levantamento” efetuado pela entidade “estima em 2,5 milhões de euros (18 unidades, 2,3 GWp de potência de produção) as intenções de investimento das suas associadas em produção fotoelétrica“.

A Associação de Beneficiários do Roxo – ABROXO, associação de regantes que instalou uma central de produção fotoelétrica, aponta “resultados encorajadores do investimento realizado”.

No ano passado, “conseguimos produzir 15% da energia que consumimos a partir de fontes renováveis, com uma poupança de 55 mil euros na fatura anual da eletricidade“, refere António Parreira, presidente da ABROXO, citado também em comunicado.

A central fotoelétrica abastece a estação elevatória de Montes Velhos (Aljustrel).

Além disso, a federação “congratula-se com a reintrodução do apoio da eletricidade verde, mas defende que a medida deve ser estudada em conjunto com o setor para responder de forma efetiva às necessidades dos agricultores. Até ao momento, desconhece-se qual é o nível de execução da medida e o montante de apoios atribuídos à eletricidade verde em 2020“.

Os regantes pedem também ao Governo para que sejam implementados contratos sazonais de eletricidade para a agricultura, à semelhança do que acontece em Espanha.

“É fundamental que os agricultores portugueses beneficiem das mesmas condições que os seus pares noutros Estados-membros da UE, mantendo a necessária competitividade no mercado agrícola global”, defendem os regantes.