A terceira edição do Évora Teatro Fest vai decorrer entre 10 e 24 de outubro, no Salão Central Eborense, com sete espetáculos de companhias de diferentes pontos do país. A programação foi apresentada esta quarta-feira, 30 de setembro, numa edição marcada pela redução do número de produções e pelo cancelamento das atividades paralelas devido às limitações financeiras sentidas pela organização.
Promovido pela Bruxa Teatro, o festival mantém o objetivo de apresentar em Évora diferentes linguagens e propostas do teatro produzido em Portugal, cruzando textos de autores como Samuel Beckett, Bertolt Brecht e Eugène Ionesco com criações contemporâneas.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, Duarte Banza, um dos diretores artísticos do Évora Teatro Fest, explicou que a programação passou dos dez espetáculos das edições anteriores para sete.
«Ao contrário das edições anteriores, em que tínhamos dez espetáculos, este ano só nos foi possível fazer sete», afirmou, apontando o aumento dos custos e a redução de alguns apoios públicos como fatores que condicionaram a edição deste ano. Ainda assim, segundo o responsável, a organização procurou construir «uma programação mais diversificada possível, dadas as condições financeiras». duarte-banza
A redução do número de espetáculos tornou também mais exigente a seleção das propostas apresentadas em Évora. Apolo Neiva, igualmente diretor artístico do festival, explica que uma das intenções passa por proporcionar ao público uma perspetiva sobre a criação teatral portuguesa.
«Uma das coisas que nós, enquanto equipa, nos orgulhamos muito em trazer o festival a Évora é exatamente por podermos, de alguma forma, fazer um mapeamento do estado do teatro contemporâneo em Portugal», disse ao ODigital.pt. apolo-neiva
Apolo Neiva reconhece, contudo, que a diminuição da programação condiciona esse propósito. «Fazer um retrato do teatro contemporâneo português em dez espetáculos já é muito complicado. Em sete, a coisa torna-se ainda muito mais complicada», salientou. A seleção procura, acrescentou, combinar textos considerados clássicos com propostas emergentes e diferentes formas de criação. apolo-neiva
Para o diretor artístico, o festival pretende igualmente ter reflexo na atividade cultural da cidade. «O festival acaba por contribuir, pelo menos nós queremos acreditar nisso, para o tecido cultural da cidade e também para uma certa amostra do tecido cultural do nosso país», afirmou, deixando ainda a expectativa de que possa realizar-se uma quarta edição. apolo-neiva
Custos obrigaram a retirar espetáculos e workshops
As limitações financeiras foram também destacadas por Figueira Cid, diretor artístico da Bruxa Teatro, que explicou ao ODigital.pt que os custos associados à realização do festival aumentaram desde a primeira edição.
Além da passagem para sete espetáculos, «as atividades paralelas, nomeadamente o que eram os workshops, também não vamos fazer», referiu. Segundo Figueira Cid, «o custo das produções é muito caro» e existem espetáculos que a organização gostaria de incluir, mas que não consegue suportar com o financiamento disponível. figueira-cid2
O alojamento das companhias é um dos exemplos apontados pelo responsável. De acordo com Figueira Cid, a despesa prevista para esta componente aumentou mais de 50% relativamente ao valor inicialmente calculado. figueira-cid2
Apesar dos constrangimentos, o responsável defende a continuidade do festival enquanto espaço dedicado ao teatro produzido em Portugal. A edição deste ano volta a realizar-se no Salão Central Eborense, uma vez que o espaço da Bruxa Teatro permanece condicionado pelas obras que estão a decorrer no edifício.
Sobre a utilização do Salão Central, Figueira Cid destacou as condições disponíveis para receber os espetáculos. «É um prazer fazê-lo no Salão Central, pelas condições que tem. As condições técnicas são ótimas, o pessoal técnico é excelente e é um prazer fazer lá», afirmou. figueira-cid2
Na apresentação do festival, o diretor artístico da Bruxa Teatro agradeceu ainda o apoio das entidades envolvidas na terceira edição, entre as quais a Câmara Municipal de Évora, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo e a Direção-Geral das Artes. figueira-cid-1
Sete espetáculos entre 10 e 24 de outubro
A terceira edição começa a 10 de outubro, às 21h30, com Happy Days, do Teatro Meridional, a partir do texto de Samuel Beckett.
Segue-se, a 13 de outubro, O Tamanho das Coisas, da Terra Amarela, com interpretação em Língua Gestual Portuguesa. No dia 15, sobe ao palco Teoria King Kong, da Companhia de Teatro de Sintra – Chão de Oliva, a partir da obra de Virginie Despentes.
A programação prossegue a 17 de outubro com Conversa Porca, do ASSéDIO Teatro, enquanto no dia 20, às 14h30, será apresentada Tínhamos uma Casa tão Bonita, uma cocriação da Krisálida com a Esquiva Companhia de Dança, destinada ao público infantojuvenil.
No dia 22 de outubro, a Urze Teatro apresenta A Mãe, de Bertolt Brecht, e o festival termina no dia 24, às 21h30, com O Rinoceronte, do Teatro da Garagem, a partir da obra de Eugène Ionesco.
Duarte Banza deixa, por isso, o convite para que o público acompanhe esta terceira edição: «Convidamos todo o público de Évora e arredores a vir visitar-nos e a celebrar aqui o teatro connosco».
















