A situação das pessoas em situação de sem-abrigo em Évora mantém-se estável, mas continua a exigir atenção e respostas estruturadas. Segundo o coordenador do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA), Luís Gamito, o número atual ronda as 79 pessoas.
«São pouco menos que isso, 79, e tem-se mantido geralmente essa média», explicou o responsável, sublinhando que o conceito é abrangente, incluindo tanto pessoas sem teto como sem casa. «Estamos nas 79 ou 80 pessoas, porque ainda não abrimos uns processos facilmente; vamos ultrapassar os 80», acrescentou.
O número tem oscilado entre 78 e 85 pessoas, o que, segundo Luís Gamito, reflete a natureza dinâmica da realidade social. «Vai até aos 85, até aos 78, mas tem andado sempre dentro dessa margem», referiu, destacando que a maioria das pessoas permanece acompanhada pelo projeto.
O trabalho do NPISA, criado para coordenar as respostas a esta problemática, através da Misericórdia de Évora, tem sido um processo de aprendizagem constante. «Isto é tudo uma aprendizagem dia a dia. Estamos a falar de pessoas com comportamentos bastante voláteis. Tem de haver uma constante adaptação da equipa para trabalhar com estas pessoas», afirmou.
De acordo com o coordenador, o perfil das pessoas em situação de sem-abrigo está a mudar. «Estamos agora a trabalhar com um público mais jovem e com doença mental pura e dura, com falta de acompanhamento e de respostas», explicou. A falta de habitação continua a ser um dos principais entraves: «Não havendo respostas de emergência — aquelas que havia em Beja fecharam —, aqui em Évora existe um projeto a cinco anos. A ver vamos se agora, neste novo executivo, conseguimos dar outros passos em frente».
Luís Gamito reconhece que a situação é preocupante. «Estamos a falar de 80 pessoas. Obviamente, não são 80 pessoas a dormir na rua, puro e duro. Mas há muitas em casas ocupadas, em habitações partilhadas com excesso de lotação e em pensões, muitas vezes em condições precárias».
Questionado sobre recentes notícias de violência contra pessoas em situação de sem-abrigo, o coordenador esclareceu que não existe qualquer grupo organizado ligado a esses incidentes. «Não existe nenhum esquadrão implementado em Évora. Estamos a falar de uma pessoa de nacionalidade brasileira que teve um surto psicótico e que estamos a acompanhar no projeto».
O estigma continua a ser um dos principais obstáculos enfrentados. «Hoje estamos aqui para combater o estigma, mas também não queremos passar a imagem de que estas pessoas são indefesas. É tudo com peso, conta e medida», observou.
O voluntariado tem desempenhado um papel importante no trabalho do NPISA. «Contamos agora com três voluntárias da Fundação José de Almeida. Vêm dar um novo fôlego ao trabalho que é feito, porque às vezes a imagem do técnico desgasta-se no tempo», referiu Luís Gamito. As voluntárias dinamizam atividades artísticas que ajudam os participantes a relaxar e a expressar-se. «Através da arte, as pessoas podem descontrair e passar um bom momento. Achamos que é, sem dúvida, uma mais-valia», concluiu.



















