A Associação Évora 2027 lançou, esta sexta-feira, 6 de fevereiro, uma petição pública nacional para instituir o Dia Nacional do Vagar, a celebrar anualmente na mesma data. A iniciativa pretende reunir assinaturas para submeter a proposta à apreciação da Assembleia da República.
Petição quer reconhecimento nacional do Vagar
Segundo a presidente da Associação Évora 27, Maria do Céu Ramos, a petição procura garantir um lugar de reconhecimento público para o Vagar, «para além dos muros da cidade e para além da região onde nasceu», com a ambição de que se transforme «num amplo movimento sem fronteiras».
A responsável sublinha que o objetivo passa por «promover, valorizar e difundir o Vagar», entendendo-o como uma pedagogia mobilizadora da sociedade, dos cidadãos e das instituições públicas e privadas. A data proposta, 6 de fevereiro, coincide com o dia que, em 2027, marcará a abertura oficial de Évora Capital Europeia da Cultura.
Vagar como resposta aos desafios contemporâneos
Nas declarações proferidas, Maria do Céu Ramos enquadra o Vagar como um conceito com dimensão cívica, cultural e social, defendendo que assume particular relevância num contexto europeu marcado por múltiplos desafios. «Valorizo-o hoje como um lugar de resistência contra a avalanche da velocidade e como um lugar de construção de novos equilíbrios», afirmou.
A presidente da Associação Évora 27 associa ainda o Vagar a um espaço de reflexão e de questionamento, com ligações a diferentes disciplinas e áreas do conhecimento, dimensão que tem vindo a ser trabalhada através das conferências internacionais promovidas pela Academia do Vagar, projeto integrado em Évora 27.
Compromisso com valores europeus
Para Maria do Céu Ramos, a proposta do Dia Nacional do Vagar insere-se num compromisso mais amplo com valores fundamentais. «Em Évora_27, a nossa identidade cultural abre-se a outras culturas da Europa, transportando os princípios da dignidade da pessoa humana, da liberdade, da democracia, do Estado de direito e dos direitos humanos», referiu.
A responsável considera que estes valores «não podem ser dados por adquiridos» e que foram construídos ao longo do tempo, defendendo que «apenas com Vagar — esse tempo que se mede pela serenidade, pela escuta e pelo diálogo — poderemos preservá-los para o bem da Humanidade».
Assinaturas para levar proposta ao Parlamento
Maria do Céu Ramos revelou ainda que é uma das primeiras subscritoras da petição, juntamente com o presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, sublinhando que o gesto representa «um compromisso efetivo» da autarquia e da Associação Évora 27 com a valorização do Vagar.
Na sua perspetiva, a petição constitui «um convite à tomada de consciência e uma convocatória para a ação», dirigida à sociedade e aos órgãos de soberania, em particular ao Parlamento, com o objetivo de reconhecer o contributo do Vagar na construção do futuro coletivo.
O lançamento da petição coincide com o início da contagem decrescente dos 365 dias que separam Évora da abertura oficial da Capital Europeia da Cultura 2027, reforçando a centralidade do Vagar enquanto conceito estruturante do projeto.



















