A presidente da Associação Évora_27, Maria do Céu Ramos, afirmou esta sexta-feira que a futura Orquestra Regional do Alentejo poderá estar constituída e em funcionamento em maio ou junho de 2027, coincidindo com a Capital Europeia da Cultura.
Em declarações ao ODigital.pt, no Convento de São Bento de Cástris, em Évora, a responsável destacou o papel da associação no impulso dado ao projeto e defendeu uma adesão alargada dos municípios da região.
A sessão de esclarecimento sobre o concurso para a constituição da Orquestra Regional do Alentejo foi promovida pela Direção-Geral das Artes e contou com a presença da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes.
“As expectativas estão à altura da ambição”
Maria do Céu Ramos afirmou que as expectativas em torno da criação da orquestra estão relacionadas com o trabalho desenvolvido junto do Governo para o lançamento do concurso.
“As expectativas estão à altura da ambição e do empenho que pusemos neste impulso que demos junto do Governo”, declarou.
A presidente da Associação Évora_27 recordou que o Alentejo era a única região do país sem uma estrutura com este estatuto, considerando que a criação da orquestra se enquadra nos objetivos culturais e europeus de Évora_27.
“Só não havia Orquestra Regional no Alentejo e pareceu-nos incontornável que, enquanto programa de cultura para a cidade, para a região e para a inserção europeia, resgatássemos este projeto para a nossa cidade e para todo o Alentejo”, explicou.
Universidade de Évora com papel “fundamental”
A responsável defendeu que a futura orquestra deverá ter uma componente artística, pedagógica e formativa, apontando a Universidade de Évora como uma das entidades com intervenção no projeto.
“É muito importante que tenha um forte coração artístico, pedagógico e formativo”, afirmou, acrescentando que o papel da Universidade de Évora será “fundamental”.
Segundo Maria do Céu Ramos, a instituição já estará a trabalhar no desenho de um projeto relacionado com a futura estrutura orquestral.
Adesão dos municípios pode reforçar coesão territorial
O regulamento estabelece que a Orquestra Regional do Alentejo deverá contar com a participação mínima de cinco municípios.
Maria do Céu Ramos salientou, contudo, que a região é composta por 47 concelhos e que existe margem para uma participação mais alargada.
“Há um potencial enorme de adesão por parte dos municípios”, afirmou, considerando que o contributo da orquestra para a coesão cultural do território será maior quanto mais autarquias integrarem o projeto.
A responsável assinalou também que uma adesão mais ampla poderá reduzir o esforço financeiro individual de cada município.
“Quanto maior for o número de municípios, menor será a contribuição financeira de cada um”, explicou, indicando que, caso todos os concelhos participem, o investimento poderá rondar os cinco mil euros por município.
Para Maria do Céu Ramos, trata-se de “um investimento na cultura e na cidadania cultural” que está ao alcance das autarquias da região.
Candidaturas devem resultar de trabalho conjunto
A presidente da Associação Évora_27 indicou que, depois do compromisso assumido pelo Governo e do lançamento do concurso, cabe agora às entidades regionais apresentar candidaturas.
“O Governo fez a sua parte. Évora_27 impulsionou o Governo, que fez um compromisso político e financeiro. A Direção-Geral das Artes vai conduzir o processo e agora é preciso que surjam as candidaturas”, afirmou.
Maria do Céu Ramos defendeu que as propostas deverão resultar da articulação entre a Universidade de Évora, os municípios e as associações artísticas e culturais do Alentejo.
Segundo a responsável, é necessário aguardar até ao encerramento do prazo de candidaturas, em setembro, para que possa surgir um projeto com base artística e colaborativa.
Orquestra poderá atuar em Évora em 2027
Maria do Céu Ramos manifestou a intenção de integrar a futura Orquestra Regional do Alentejo na programação de Évora_27.
De acordo com o calendário apresentado na sessão, a estrutura poderá estar constituída e em funcionamento em maio ou junho de 2027.
“Seria maravilhoso podermos contar com uma atuação, uma performance da futura Orquestra Regional do Alentejo”, afirmou.
A presidente da associação salientou, porém, que o objetivo não se limita à apresentação durante a Capital Europeia da Cultura.
A intenção é que a orquestra permaneça no Alentejo e desenvolva trabalho regular na “capacitação artística, no fomento cultural, no serviço público artístico e musical” e na “coesão do território”.
Concurso decorre até setembro
O concurso para a constituição da Orquestra Regional do Alentejo tem uma dotação de 1,62 milhões de euros, distribuída por dois anos, e destina-se a associações culturais sem fins lucrativos com sede na região.
A futura estrutura deverá desenvolver atividade nos domínios da criação, circulação, mediação cultural, internacionalização e formação, através da articulação com municípios e entidades culturais locais.




















