O humorista Guilherme Geirinhas considerou que o humor está diretamente ligado ao conceito de “vagar”, defendendo que o tempo e a distância são elementos essenciais para fazer rir, após o espetáculo de stand-up comedy apresentado no Teatro Garcia de Resende, em Évora, integrado na programação associada à Capital Europeia da Cultura 2027 .
Em declarações aos jornaliatas após a atuação, o comediante sublinhou que «é preciso algum vagar para o humor», associando o conceito à ideia de ócio e de tempo disponível para pensar e observar. «O vagar tem muito a ver com o tempo que temos para as coisas e acho que isso tem tudo a ver com o humor», afirmou.
Humor como exercício de distância
Para Guilherme Geirinhas, o humor exige distância temporal em relação aos acontecimentos. «O humor é quase uma fórmula de distância para alguma coisa. Há coisas de que não me consigo rir no próprio dia, mas se calhar passado um mês já consigo», explicou, acrescentando que esse processo de digestão é fundamental para transformar experiências em matéria humorística.
O humorista referiu ainda que essa necessidade de tempo o afasta do comentário imediato à atualidade. «Não consigo fazer humor sobre atualidade. Prefiro falar de coisas que me acontecem no dia a dia, precisamente porque acho que é preciso algum vagar», disse.
Fazer rir exige tempo e intimidade
Questionado sobre a dificuldade de provocar o riso, Guilherme Geirinhas considerou que «fazer rir é mais difícil do que fazer chorar», apontando a necessidade de criar um ambiente de confiança entre artista e público. «É preciso algum vagar para as pessoas estarem à vontade e para se criar uma intimidade», referiu, admitindo que subir ao palco perante centenas de pessoas desconhecidas continua a ser um desafio.
«Hoje antes pensei que, vou falar para 350 pessoas que não conheço e como é que elas vão rir? Não faço ideia», confessou, acrescentando que esperava que o público «venha com vagar para sorrir».
Preparação do espetáculo ligada à cidade
O humorista revelou ainda que preparou o espetáculo com atenção ao contexto local, incluindo referências a Évora. «Fiz alguma pesquisa sobre a cidade e vou ter um momento em que falo sobre Évora», explicou, manifestando também a intenção de interagir com responsáveis políticos locais durante o espetáculo.
Guilherme Geirinhas destacou, por fim, a relevância de o humor integrar a programação cultural da cidade. «Não me lembro de o Teatro Garcia de Resende ter recebido humor nos últimos anos, e só isso já é um bom vagar», concluiu.









