A Fundação Eugénio de Almeida promoveu esta quarta-feira, 22 de outubro, no Centro de Inovação Social, em Évora, o encontro «Construir Pontes – Do passado ao presente: olhares sobre o trabalho com pessoas em situação de sem-abrigo». A iniciativa, realizada em parceria com o Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo de Évora (NPISA), juntou técnicos, voluntários, estudantes e representantes de várias instituições para refletir sobre os desafios da inclusão social.
Segundo Henrique Sim-Sim, coordenador do Centro de Inovação Social da FEA, o objetivo da sessão foi «colocar um conjunto de atores que trabalham nestes temas no dia a dia e refletir conjuntamente sobre as respostas que temos que desenvolver para minimizar este problema na nossa comunidade».
O responsável alertou para o aumento do número de pessoas em situação de sem-abrigo em Évora, «muitos deles vindos do Sul, para serem acolhidos aqui». Nesse contexto, defende que é necessário encontrar novas respostas e inspirar-se em boas práticas já implementadas noutras regiões do país.
A conversa contou com a participação de representantes dos NPISA de Beja, Santarém e Évora, bem como com o testemunho da Irmã Pilar Moreira. A moderação esteve a cargo de Inês Gonçalves, e o encontro terminou com um momento de partilha entre os participantes.
Henrique Sim-Sim destacou ainda a importância de sensibilizar os mais jovens para esta realidade. «Tivemos na sala muitos alunos de diferentes áreas. É preciso sensibilizá-los para uma temática difícil e exigente, mas onde todos podem contribuir. Procuramos novas soluções e queremos envolver a comunidade eborense neste esforço coletivo», afirmou.
Sobre as respostas possíveis, o coordenador sublinhou que é essencial «aproximar a comunidade destas pessoas e fazê-las ver que são cidadãos que, em algum momento, tiveram um percalço na vida». Acrescentou que «todos somos poucos para tentar resgatá-los e incluí-los novamente na sociedade, ajudando-os a reconstruir o seu projeto de vida».
O trabalho em rede foi outro dos temas centrais abordados ao longo da tarde. Para Henrique Sim-Sim, a articulação entre instituições é «fundamental», dado que as problemáticas sociais «são cada vez mais complexas, com diferentes origens e impactos». Em Évora, sublinha, «os técnicos conhecem-se bem e articulam-se entre si», o que tem permitido respostas mais integradas.
Ainda assim, reconhece que há sempre espaço para melhorar: «Os problemas são cada vez mais exigentes, e precisamos destes fóruns para nos encontrarmos, refletirmos e sabermos o que cada um está a fazer. Só assim conseguimos articular melhor as respostas».
A Fundação Eugénio de Almeida tem desempenhado um papel ativo na promoção do voluntariado desde 2001. «É uma pedra fundamental da nossa ação», afirmou Henrique Sim-Sim. «Criamos condições para que as pessoas contribuam de forma altruísta, mas competente, em áreas como a social, cultural e até nos estabelecimentos prisionais».
O responsável adiantou ainda que a FEA prepara novas iniciativas de reflexão e colaboração. «Vamos realizar, no próximo dia 23 de novembro, uma conferência sobre o papel das organizações e como se podem articular para responder melhor aos desafios sociais do território», revelou.
A iniciativa «Construir Pontes» insere-se, assim, num trabalho contínuo de mobilização da comunidade e de reforço da cooperação entre instituições, voluntários e cidadãos, num esforço conjunto para combater a exclusão e promover a dignidade humana.




































