A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, confirmou que a obra do Novo Hospital Central do Alentejo, em Évora, já regista uma derrapagem financeira de 58% face ao valor inicialmente previsto. A governante explicou que o desvio resulta de alterações acumuladas ao longo de vários anos e que o montante final ainda não está fechado.
«O plano funcional inicial era de 2008. Entre 2008 e 2025 muita coisa muda em termos daquilo que são até os requisitos de segurança e de qualidade assistencial», afirmou. A ministra acrescentou que «uma obra quando leva muito tempo acaba sempre por ter derrapagens» e reconheceu que «terminaremos com mais, com certeza».
Valor inicial já ultrapassado e montante final por definir
A construção do novo hospital foi inicialmente orçada em 150 milhões de euros. O valor atual conhecido é de 237 milhões de euros. Questionada sobre a possibilidade de atingir valores mais elevados, Ana Paula Martins recusou comprometer-se com números definitivos: «Não vou agora dar estimativas finais, porque seria comprometer-me com um valor que neste momento não tenho dados para me comprometer».
A ministra assegurou, contudo, que a obra será concluída: «Uma coisa é certa: vamos ter que terminar. Isso aí não há nenhuma dúvida por causa dos cidadãos que precisam há muitos anos deste hospital».
Mais de 70% da execução concluída e decisões por fechar
Apesar da derrapagem, a ministra sublinhou que a empreitada tem mais de 70% da execução concluída. Explicou ainda que há decisões técnicas pendentes, nomeadamente sobre alterações ao projeto. «Temos ainda uma outra decisão importante para tomar em relação a algumas alterações ao projeto que têm que ser tomadas agora», disse.
Está também em curso a constituição da nova comissão de acompanhamento, que substituirá a antiga estrutura das ARS. Segundo a ministra, o novo conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central terá «uma importância absolutamente determinante» nesta fase.
Acessos e arruamentos exigem nova negociação com a Câmara de Évora
Ana Paula Martins confirmou ainda a necessidade de rever o acordo com a Câmara Municipal de Évora relativo aos acessos ao futuro hospital. «Já me encontrei com o senhor presidente da Câmara e já apalavrámos uma reunião, porque é preciso agora rever o acordo que já tínhamos para a questão dos arruamentos e dos acessos», referiu.
A decisão é essencial para compatibilizar o avanço da obra com a infraestrutura urbana envolvente.
Meta temporal continua dependente de decisões técnicas
Sobre o calendário final da obra, a governante evitou confirmar datas, embora tenha referido a ambição de concluir a construção em 2027. «Gostávamos muito que a obra estivesse concluída em 2027», afirmou, lembrando que ainda falta completar a instalação de equipamentos e planear recursos humanos.
Recorde-se que a futura unidade hospital deverá ter 360 camas em quartos individuais – podem ser aumentadas até 487 -, 11 blocos operatórios, cinco postos de pré-operatório e 43 postos de recobro, entre outras valências. A conclusão já teve várias datas anunciadas, entre as quais o final de 2023 ou início de 2024.



















