A cidade de Évora acolheu um debate público sobre a Estratégia Turismo 2035. O objetivo, segundo Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, é «definir as linhas mestras de orientação para os próximos 10 anos», num momento que o responsável considera essencial para o futuro do setor.
Carlos Abade explicou que a Estratégia Turismo 2027 (ET2027), aprovada em 2017, atingiu muitos dos seus objetivos com uma antecipação de quase três anos, reflexo do trabalho desenvolvido no setor. «Este é um momento muito importante para o turismo», afirmou, sublinhando a necessidade de adaptar a estratégia às novas realidades do mercado.
Portugal ocupa, atualmente, a 12ª posição no ranking dos destinos turísticos mais competitivos do mundo, e os números de 2023 reforçam essa posição. O país registou 77,2 milhões de dormidas e receitas de 25,1 mil milhões de euros. Com um crescimento de 10% face ao ano anterior, prevê-se que o objetivo de 27 mil milhões de euros, estipulado para 2027, seja alcançado ainda em 2024, três anos antes do previsto.
O presidente do Turismo de Portugal destacou a evolução das exportações turísticas, cujo crescimento entre 2017 e 2023 superou o das exportações globais do país. A aposta na diversificação de mercados tem sido um dos pilares dessa evolução, com a atração de turistas dos EUA, Canadá, Brasil e Coreia do Sul. O mercado norte-americano, em particular, tornou-se o quarto mais importante a nível nacional, sendo o primeiro em Lisboa e o segundo no Porto.
A sazonalidade também tem vindo a ser reduzida. A meta de 33,5% até 2027 está próxima de ser alcançada, com a taxa a situar-se nos 35,2% em 2023, o valor mais baixo registado. A qualificação dos trabalhadores do setor também tem evoluído de forma significativa. Em 2015, apenas 9,8% dos trabalhadores do turismo possuíam formação superior, e o objetivo de atingir 60% com ensino secundário ou superior até 2027 está próximo de ser alcançado, com 54% já registados no ano passado.
Carlos Abade referiu ainda, em Évora, a importância do crescimento do turismo no interior do país, com um aumento mais expressivo das dormidas fora das regiões litorais, em linha com os objetivos de dispersão territorial da ET2027.
No que diz respeito às metas ambientais, o presidente do Turismo de Portugal admitiu a necessidade de evoluir e definir métricas mais precisas para medir o impacto ambiental das empresas do setor, indo além da simples implementação de soluções ambientais.
Carlos Abade destacou ainda os principais desafios que a nova estratégia deve enfrentar, nomeadamente a distribuição equitativa do valor gerado pelo turismo por todo o território, a qualificação das lideranças, a incorporação da tecnologia na gestão do território e das empresas, a sustentabilidade ambiental, a responsabilidade social, e a atração de novos mercados de maior valor acrescentado. A diversificação das fontes de financiamento para as empresas do setor será também essencial para o desenvolvimento futuro.
Este debate público pretendeu, assim, contribuir para a construção de uma estratégia que consolide Portugal como um dos principais destinos turísticos do mundo, reforçando o seu impacto positivo na economia e na qualidade de vida da população.
Fique de seguida com as imagens desta sessão, numa reportagem de Hugo Calado:





















































