O presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, considerou que o Centro Dramático de Évora (Cendrev), que cumpre 50 anos em janeiro, foi um “processo único de descentralização cultural” que marcou o país.
“Durante 50 anos, este processo único de descentralização cultural que existiu em Portugal, que se iniciou em janeiro de 1975, marcou a cultura em Portugal”, destacou o autarca.
Em declarações aos jornalistas, após a apresentação da programação do Cendrev para 2025, que decorreu no centenário Teatro Garcia de Resende, no centro histórico de Évora, Carlos Pinto de Sá (CDU) evocou que, “ao longo destes 50 anos, esta questão da descentralização cultural não foi unânime”.
“Houve muita gente que não queria a descentralização cultural, houve muita resistência, muitos ataques”, disse, afiançando que “foi necessária uma persistência muito grande por parte do Cendrev”, com “o apoio de todos e do município, para se conseguir garantir esta situação”.
Por isso, “não podemos voltar para trás”, defendeu o autarca, defendendo que “é fundamental” a cooperação entre a câmara e esta companhia profissional de teatro.
Desde 2022 e até 2025, o Cendrev tem em vigor uma candidatura aprovada através do concurso de apoio à programação da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP), que assegura 400 mil euros para programação, dos quais 200 mil atribuídos pela Direção-Geral das Artes (DGArtes) e os outros 200 mil pela Câmara de Évora.
Carlos Pinto de Sá aludiu que, graças a este financiamento regular, a programação da companhia teve “um salto qualitativo” e insistiu que é preciso “garantir que este trabalho continua”, tendo em conta até que Évora vai ser Capital Europeia da Cultura (CEC) em 2027.
“Eu diria até que tem que ser reforçado, porque, quando houver capital Europeia da Cultura, o Cendrev e o Teatro Garcia de Resende têm que ter um papel marcante a esse a esse nível”, sustentou.
E por isso, por ocasião da CEC Évora_2027, vai ser preciso ter “uma programação mais exigente ainda, se calhar mais internacional do que temos agora”, continuou.
O presidente do município assegurou ainda que o financiamento atribuído ao Cendrev não pode ser encarado como despesa, mas sim como “um investimento”.
“É o investimento na cidadania, numa sociedade melhor, na nossa juventude. É um investimento no futuro de Évora e do Alentejo, porque a cultura é um elo essencial do nosso desenvolvimento e do desenvolvimento de cada pessoa e, portanto, é nisso que temos que continuar a apostar”, defendeu.
Para Carlos Pinto de Sá, o projeto de descentralização cultural protagonizado pelo Centro Dramático de Évora é, “felizmente”, uma aposta ganha e foi estendido a outras zonas do país.
Mas, atualmente, vincou, vivem-se “tempos onde se começa a questionar este tipo de coisas” e é preciso “combater” aqueles que pretendem “andar para trás”.
“Estes passos que demos são importantes para continuar a afirmar a necessidade de ter uma sociedade mais justa, mais equilibrada, mais culta. E tenho a certeza que uma sociedade mais culta é uma sociedade que resiste muito mais àqueles querem voltar aos tempos do passado”, argumentou.



















