O Armazém 8 – Casa das Artes, localizado em Évora, alcançou um marco significativo ao classificar-se em segundo lugar na lista nacional de teatros com maior número de sessões esgotadas em 2024, no âmbito da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP).
Com 38 das 54 noites de programação realizadas a registar lotação máxima, o espaço reafirma a sua relevância no panorama cultural português, num contexto de descentralização artística.
Lurdes Nobre, diretora do Armazém 8, considera este resultado um reconhecimento do trabalho desenvolvido e da capacidade da região em atrair públicos. «Este feito é muito importante para o Alentejo, que muitas vezes é visto como uma zona de baixa densidade populacional e, por isso, com poucos espetadores. O nosso trabalho, e o de outros espaços, comprova exatamente o contrário: o público existe e está disposto a consumir cultura de qualidade, desde que esta seja acessível e diversificada», afirmou.
A estratégia de programação do Armazém 8 foi apontada como um dos fatores determinantes para este sucesso. «Fugimos à programação convencional e focamo-nos nos públicos, sem fazer juízos de valor. Trabalhamos com ciclos que abrangem diferentes géneros e estilos artísticos, desde a programação internacional à nacional e local. A nossa prioridade é oferecer uma experiência que chegue a todos os tipos de público», explicou Lurdes Nobre.
Esse enfoque na diversidade cultural foi, segundo a diretora, um dos segredos para manter a sala constantemente esgotada. «Ao longo do ano, procuramos alternar estilos e géneros, o que nos permite captar diferentes públicos semana após semana. Esta abordagem tem resultado, como os números comprovam», acrescentou.
A localização do Armazém 8, fora do centro histórico de Évora, foi uma decisão estratégica que inicialmente gerou dúvidas, mas que hoje se revela acertada. «Decidimos que a nossa sala não seria um espaço para quem está de passagem. Queríamos que as pessoas se deslocassem de propósito para assistir a espetáculos e vivenciar a arte que oferecemos. Essa aposta foi arriscada, mas os resultados mostram que estávamos certos», referiu.
Outro aspeto destacado por Lurdes Nobre foi a capacidade de atrair público de fora da cidade. «Recebemos espectadores de várias partes do país, incluindo Setúbal, Portalegre e até do Algarve. Muitos artistas que trazemos só atuam aqui em Évora, e o custo dos bilhetes é mais acessível do que em Lisboa. Além disso, o público aproveita para passar o fim de semana na cidade, o que contribui para o turismo e para a economia local», sublinhou.
Apesar de não integrar os apoios financeiros da rede de teatros, o Armazém 8 conseguiu alcançar resultados notáveis. A programação contou com o apoio da Direção-Geral das Artes (DGArtes) e da Câmara Municipal de Évora, mas sem os subsídios regulares da rede. «Este feito é ainda mais especial porque foi alcançado sem o apoio à programação da rede de teatros. Trabalhamos com recursos limitados, mas sempre com o foco no público e na oferta cultural de qualidade», afirmou.
O ano de 2024 foi particularmente marcante para o Armazém 8, que registou o maior número de sessões esgotadas desde a sua fundação. «Este foi o melhor ano em termos de público. Fizemos 54 espetáculos, dos quais 38 tiveram lotação esgotada. É um feito que nos orgulha e que mostra que estamos no caminho certo», afirmou Lurdes Nobre.
A diretora realçou ainda a importância de trabalhar para as pessoas. «Desde que integramos a rede de teatros, no período pós-pandemia, temos registado um crescimento constante. Estes resultados são a prova de que, com dedicação e estratégias bem definidas, é possível alcançar a excelência fora dos grandes centros urbanos», concluiu.
Com este reconhecimento, o Armazém 8 reforça a sua posição como uma referência cultural no Alentejo e a nível nacional. «Estamos a trabalhar para que 2025 seja ainda melhor. O nosso compromisso é continuar a oferecer uma programação de qualidade e acessível, que valorize a diversidade cultural e contribua para o enriquecimento da vida cultural da região», afirmou Lurdes Nobre.
No topo da lista nacional de teatros com maior número de sessões esgotadas ficou o Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.



















