A Administradora executiva e secretária-geral da Fundação Eugénio de Almeida, Maria do Céu Ramos, afirmou, esta quarta-feira, que “é preciso que haja mais justiça social”, pois, “haverá sempre ricos e pobres, mas é preciso que haja menos desigualdades”.
Maria do Céu Ramos falava aos jornalistas no final do debate “Pensar a Pobreza”, que se realizou na Fundação Eugénio de Almeida e contou com as intervenções de António Bagão Félix e Francisco Louçã.
O debate ocorreu associado à exposição ‘Fenda’, integrando-se no programa comemorativo dos 10 anos do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida.
Segundo Maria do Céu Ramos, “a intenção da Fundação Eugénio de Almeida, ao propor que haja uma exposição de arte antiga e contemporânea que pensa a pobreza e associar-lhe um debate de pessoas que são economistas, políticos, cidadãos activos na nossa democracia plena é procurar sensibilizar todos os que de alguma maneira estão em relação com a Fundação, seja através do campo artístico, cultural, social ou espiritual, na esfera das nossas várias atividades a fazerem parte deste grande momento de cidadania, em que cada um de nós tem algo para dizer, algo para contribuir e em que procuramos através de várias linguagens, a linguagem da arte, a linguagem da cultura, a linguagem da economia ou da justiça social, contribuir para fazer do mundo um lugar melhor e para humanizar a relação que temos com a vida e para incluir os que são tocados pela pobreza.”
A responsável explicou que “quando criámos a exposição ‘Fenda’, que são cinco séculos de arte para pensar a pobreza. e fizemos este debate com o Bagão Félix e com Francisco Louçã, estamo-nos a querer dizer que no diálogo, no pensamento, na reflexão e no compromisso, é possível fazer melhor do que existe. Haverá sempre ricos e pobres, mas é preciso que haja menos desigualdades, é preciso que haja mais justiça social e tudo o que cada um de nós, enquanto cidadãos e tudo o que instituições como a Fundação Eugénio de Almeida puderem fazer para complementar o papel do Estado e envolver os cidadãos é equilibrar e tornar mais harmoniosa a relação entre as pessoas na sociedade”.
“Vasco Eugénio de Almeida deu tudo o que tinha para promover cultural, social e educativa as pessoas desta cidade e quando a fundação faz 60 anos, esse ideal está vivo e concretiza-se de muitas maneiras, porque hoje os desafios são muitos e os desafios que a desigualdade social nos põe são muito grandes e não é gritar, não é reivindicar-se apenas, que se constroem as soluções, a serenidade do pensamento”, frisou Maria do Céu Ramos.
Já sobre o resultado do debate, Maria do Céu Ramos disse que “vale a pena promover debates serenos, lúcidos e plurais”, acrescentando que “em democracia só pode ser assim. Só assim é que salvaguarda mais plenamente a democracia e, portanto, se a democracia assenta na ideia da participação de todos e da contribuição de todos, temos que a ativar permanentemente nos vários espaços onde estamos e que as várias possibilidades que temos.”
















