A presidente da Associação Évora_27, Maria do Céu Ramos, considera que a requalificação e renaturalização do Rossio de São Brás representa um dos principais legados que a Capital Europeia da Cultura 2027 deixará à cidade, destacando a Floresta Nómada como um dos projetos estruturantes da programação.
As declarações foram feitas esta terça-feira, durante a cerimónia de assinatura do protocolo para a “Requalificação e Renaturalização do Rossio de São Brás | Laboratório Floresta Nómada” (Rossio II), realizada no Palácio D. Manuel.
Um legado que nasce da Capital Europeia da Cultura
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, Maria do Céu Ramos afirmou que “hoje é um dia muito bom para Évora, para a Capital Europeia da Cultura e para o legado que a Capital Europeia da Cultura vai deixar na nossa cidade”, considerando que a Floresta Nómada está “na génese deste novo olhar para a Praça do Rossio”.
A responsável explicou que o projeto resulta do cruzamento entre a dimensão artística da candidatura de Évora 2027 e a necessidade de responder aos desafios ambientais, alinhando-se com a agenda climática do Governo e com as aspirações da cidade para criar novos espaços de jardim, frescura, sombra e qualidade de vida.
Arte e cultura como resposta às alterações climáticas
Maria do Céu Ramos defendeu que a Capital Europeia da Cultura demonstra como “a arte e a cultura podem alinhar-se com soluções concretas para as cidades e para o quotidiano dos cidadãos”, considerando que este projeto mostra a capacidade transformadora da criação artística.
Segundo a presidente da Associação Évora_27, a Floresta Nómada foi concebida pelo arquiteto paisagista holandês Bruno Doedens e será composta por cerca de mil árvores de grande porte, adaptadas ao clima alentejano, às quais se juntam cerca de 500 árvores e arbustos de menor dimensão.
Além da componente paisagística, o projeto prevê que milhares de pequenas plantas sejam entregues aos cidadãos, que serão convidados a cuidar delas antes da sua plantação no futuro Parque Ambiental de São Bento de Cástris.
Um jardim vivo ao longo de 2027
A presidente da Associação Évora_27 explicou que a Floresta Nómada não será um jardim estático. Durante os dez meses da Capital Europeia da Cultura, as árvores serão reorganizadas em diferentes momentos, permitindo acolher espetáculos, projetos comunitários, ações de sensibilização e outras iniciativas culturais.
Ao longo do ano, o espaço será reconfigurado várias vezes, podendo ainda estender-se pontualmente a outros locais da cidade, levando a mensagem da sustentabilidade e da importância de uma cidade mais verde a diferentes comunidades.
Rossio ficará como jardim permanente
Maria do Céu Ramos adiantou que, terminado o ano de 2027, a estrutura principal da Floresta Nómada permanecerá no Rossio de São Brás.
“O jardim fica para ser cuidado pela Câmara Municipal ao longo dos anos vindouros”, afirmou, considerando este um dos principais legados da Capital Europeia da Cultura. Paralelamente, parte das árvores e plantas será integrada no futuro Parque Ambiental de São Bento de Cástris, reforçando a infraestrutura verde da cidade.
Projeto une Governo, município e comunidade
Na sua intervenção, Maria do Céu Ramos sublinhou que o projeto demonstra “o poder de convocatória de uma Capital Europeia da Cultura”, capaz de reunir Governo, município e comunidade em torno de um objetivo comum.
A responsável destacou ainda que a requalificação do Rossio permitirá devolver cerca de 29 mil metros quadrados de espaço qualificado à cidade, criando uma nova centralidade urbana e reforçando o compromisso de Évora com a ação climática.
Para Maria do Céu Ramos, a Floresta Nómada traduz o compromisso de Évora 2027 com a sustentabilidade, deixando “algo de duradouro e transformador”, que considera ser “a concretização da razão de ser desta nossa Capital Europeia da Cultura”.


















