O Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, recebeu esta sexta-feira, 13 de março, o seminário “Tu Não Mandas em Mim: As Redes +/- Sociais”, uma iniciativa promovida pelo Centro de Respostas Integradas (CRI) do Alentejo Central, em parceria com o Município de Estremoz.
A sessão reuniu técnicos, educadores e público em geral para discutir o fenómeno das dependências sem substância, com particular foco no uso das redes sociais e no impacto das tecnologias no quotidiano.
Dependências sem substância ganham relevância
O coordenador do Centro de Respostas Integradas do Alentejo Central, Paulo de Jesus, explicou que durante décadas a intervenção nesta área esteve centrada sobretudo nas dependências associadas ao consumo de substâncias.
«As nossas estruturas durante 30 anos foram montadas para trabalhar sobre as dependências com substância», referiu, acrescentando que nos últimos anos surgiu um novo desafio ligado a comportamentos aditivos sem consumo de drogas ou álcool.
Segundo o responsável, estes comportamentos seguem padrões semelhantes aos das dependências tradicionais, razão pela qual passaram a assumir prioridade na intervenção técnica.
«As dependências sem substância, do ponto de vista do padrão, seguem exatamente a mesma linha das dependências com substância. Por isso é que rapidamente passaram a prioridade», afirmou.
Tecnologias e redes sociais colocam novos desafios
O seminário centrou-se este ano na utilização das redes sociais, depois de, na edição anterior, ter sido debatida a questão dos videojogos. Para Paulo de Jesus, a evolução tecnológica abriu novas áreas de análise e intervenção.
«As tecnologias emergiram como uma prioridade. Este ano a temática são as redes sociais, mas recordo que no ano passado trabalhámos a questão dos videojogos», explicou.
O responsável destacou ainda a importância de envolver a comunidade no processo de literacia digital, defendendo que o conhecimento é essencial para lidar com estes desafios.
«Está aqui uma caixa de Pandora que se abre para nós, técnicos, mas acima de tudo para a comunidade. A comunidade tem que fazer connosco este caminho de literacia», afirmou.
Relação equilibrada com a tecnologia
Durante a iniciativa foi também abordado o impacto dos ecrãs e das plataformas digitais, numa realidade que se tornou mais visível durante o período da pandemia.
Paulo de Jesus considerou que as tecnologias fazem hoje parte da vida quotidiana e que o desafio passa por promover uma utilização equilibrada.
«As tecnologias vieram para ficar e ainda bem. O grande desafio é viver com elas, é perceber como é que as integramos», sublinhou.
O coordenador do CRI do Alentejo Central defendeu ainda que a intervenção deve centrar-se na capacitação das pessoas para uma utilização saudável das ferramentas digitais.
«O que nós queremos é consciencializar e capacitar toda a comunidade para termos todos uma relação saudável e equilibrada com as tecnologias», referiu.
A iniciativa integrou ainda várias intervenções e momentos de debate sobre o impacto das redes sociais, dos algoritmos e das tendências digitais na saúde mental, com particular enfoque nos jovens.








































