Nova estratégia para natureza precisa de ações concretas, dizem os investigadores

Professores e investigadores do Laboratório Associado CHANGE defendem que a Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 deve ser acompanhada por financiamento estável, metas quantificáveis e um plano de ação para garantir resultados no terreno.

Professores e investigadores alertaram hoje que para a nova estratégia para a conservação da natureza e biodiversidade ser eficaz precisa de ações concretas, com financiamento, responsabilidades claras, monitorização independente e resultados verificáveis.

À Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 (ENCNB2030) falta “maior ambição”, em particular na garantia de mecanismos vinculativos e de financiamento estável e a garantia de que a estratégia não ficará dependente de programas temporários ou de intenções sem execução, dizem responsáveis do Laboratório Associado CHANGE – Instituto para as Alterações Globais e Sustentabilidade.

Num comunicado recordam também que Portugal deveria ter apresentado até outubro de 2024 uma revisão da sua estratégia de conservação da natureza e biodiversidade em conjunto com um plano nacional, e que o documento final a apresentar à Convenção da Diversidade Biológica já leva 20 meses de atraso.

Portugal aprovou a ENCNB em 2018, quando era primeiro-ministro António Costa. Desde então foi aprovado na COP15 (15.ª conferência da ONU sobre diversidade biológica), em Montreal, Canadá, o Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, em dezembro de 2022, e também a Estratégia da União Europeia (UE) para a Biodiversidade 2030 e o Regulamento da UE sobre restauro da natureza.

O acordo de Montreal estabelece metas para deter e reverter a perda da natureza até 2030, tendo os países assumido o compromisso de proteger 30% dos habitats terrestres e marinhos.

O atual Governo, nomeadamente para incorporar as novas medidas e compromissos, alterou em 2025 a ENCNB, que esteve em consulta pública entre julho e outubro do ano passado. A ENCNB2030 foi aprovada no final de abril e publicada no mês passado.

Segundo o comunicado do CHANGE trata-se de “um passo importante” mas precisa agora de ações concretas no âmbito de um Plano de Ação, que está previsto na própria estratégia.

A nova versão da Estratégia tem de bom, nomeadamente, o reforço do restauro ecológico, da conectividade ecológica, da cogestão de áreas protegidas, da ciência cidadã, da integração da biodiversidade no ordenamento do território e da valorização dos serviços dos ecossistemas, refere o comunicado.

Mas, aleta o CHANGE, falta-lhe mais ambição. Os compromissos assumidos por Portugal em Montreal “não podem ficar reduzidos a uma linguagem estratégica, devendo traduzir-se em decisões políticas, instrumentos legais e investimento público e privado”.

Segundo os investigadores, a implementação da ENCNB2030 deve assentar em seis prioridades, sendo a primeira a aprovação um Plano de Ação, com prazos, metas quantitativas e entidades responsáveis.

Depois é preciso garantir financiamento estável, criar indicadores de impacto ecológico real no terreno, estabelecer mecanismos vinculativos de integração da biodiversidade no ordenamento, agricultura, floresta, energia, turismo, cidades e mar, e definir áreas de não-avanço para projetos incompatíveis com valores naturais sensíveis.

A sexta prioridade será o reforço da participação pública através de modelos permanentes de governação, cogestão e ciência cidadã.

Citado no comunicado, Ricardo Pita, investigador do CHANGE, afirma que falta clarificação na estratégia e defende a criação de “territórios-piloto” fora das áreas classificadas, envolvendo municípios, proprietários, setores produtivos e instituições científicas, que serviriam para “testar medidas de restauro, avaliar resultados e preparar a sua expansão”.

O CHANGE inclui cerca de 360 docentes e investigadores e integra o Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C) na Universidade de Lisboa, o Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade (CENSE) na Universidade Nova de Lisboa e o Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) na Universidade de Évora.

Mais notícias

Incêndio na Serra D’Ossa em resolução. Rescaldo prolonga-se durante este domingo

As limitações de acesso e a orografia da Serra d’Ossa, no concelho de Redondo,...

Prevenção ajudou a limitar avanço do incêndio na Serra d’Ossa, diz David Galego

O presidente da Câmara de Redondo afirma que os simulacros realizados anualmente, o conhecimento...

Castro verde: Celina da Piedade encerra este domingo o Festival Castro Mineiro

Celina da Piedade atua este domingo, 6 de setembro, no encerramento do Festival Castro...

Incêndio na Serra d’Ossa entra em resolução após mobilizar 273 operacionais

O incêndio que deflagrou na Serra d’Ossa, no concelho de Redondo, entrou em resolução...

Montemor-o-Novo: Papillon atua este domingo na Feira da Luz/Expomor

A Feira da Luz/Expomor prossegue este domingo, 6 de setembro, em Montemor-o-Novo, com atividades...

Procissão e concerto com Filarmónica marcam domingo nas festas de Alandroal

O programa de domingo das Festas em Honra de Nossa Senhora da Conceição, em...

ÁTOA atuam este domingo no encerramento das Festas da Cidade de Estremoz

O grupo ÁTOA atua este domingo, 6 de setembro, no Rossio Marquês de Pombal,...

Incêndio na Serra d’Ossa mobiliza 273 operacionais e recebe reforços de Lisboa e Castelo Branco

O dispositivo de combate ao incêndio que lavra na Serra d’Ossa, no concelho de...

Incêndio com três frentes ativas na Serra d’Ossa mobiliza quase 200 operacionais

O incêndio que lavra desde o início da noite deste sábado na Serra d’Ossa,...