InícioAlentejoAlentejo LitoralEspólio da Igreja de...

Espólio da Igreja de Nossa Senhora das Salas regressa a Sines após exposição no Panteão Nacional

O espólio da Igreja de Nossa Senhora das Salas está a regressar a Sines após ter integrado uma exposição temporária no Panteão Nacional. As mais de 80 peças serão reinstaladas no templo, que reabre ao público durante o mês de julho.

O espólio da Igreja de Nossa Senhora das Salas, em Sines, alvo de obras de restauro, está a ser reinstalado no imóvel, depois de ter integrado uma exposição temporária no Panteão Nacional, em Lisboa.

O conjunto com 81 peças regressa agora a Sines, no distrito de Setúbal, numa fase em que a igreja se prepara para reabrir ao público, após obras de restauro e de conservação.

Devido à empreitada, “foi necessário tirar o tesouro que estava na sacristia, que são mais de 80 peças”, explicou Ricardo Pereira, arquiteto da Câmara de Sines, em declarações à agência Lusa, durante uma visita à igreja.

As peças foram expostas no Panteão Nacional, em 2025, para assinalar os 500 anos da morte de Vasco da Gama, numa iniciativa que permitiu divulgar fora de Sines “um dos mais importantes” tesouros sacros do Alentejo, assegurou.

“Muito do que temos aqui são obras de arte de grande qualidade produzidas na corte” portuguesa, acrescentou.

Segundo o responsável, a saída temporária do espólio serviu para garantir condições de segurança e conservação de algumas peças durante a obra.

Para a arquiteta Rita Vale, do Património Cultural – Instituto Público (IP), a solução encontrada permitiu proteger o espólio e valorizá-lo junto de novos públicos.

Desta forma, realçou à Lusa, a exposição “ficou mais guardada à vista de todos”.

Agora, o regresso das peças a um espaço com cerca de 40 metros quadrados da Igreja de Nossa Senhora das Salas exigiu cuidados técnicos de conservação. Desde o transporte, a cargo de uma empresa especializada em obras de arte, até à sua colocação nas vitrinas.

“As peças têm de chegar, têm de ficar algum tempo a aclimatar-se e, depois, tem de se verificar o seu estado de conservação”, explicou Ricardo Pereira.

Entre os elementos destacados pelo arquiteto estão “as joias de Nossa Senhora das Salas”, um vestido “todo bordado a ouro”, esculturas, peças em marfim, pedras semipreciosas vindas do Brasil e objetos ligados à Índia e ao mundo atlântico.

“Temos aqui um vestido absolutamente extraordinário”, afirmou o responsável, apontando para uma das 10 vitrinas onde, daqui a umas semanas, estará exposta uma peça bordada a ouro associada à imagem de Nossa Senhora das Salas.

O arquiteto sublinhou que o espólio resulta de um movimento de devoção e “doações anónimas” que “atravessa 500 anos”, com raízes na própria família de Vasco da Gama.

“A mãe de Vasco da Gama é a primeira pessoa que temos documentada que ofereceu um vestido à Senhora das Salas”, destacou.

O objetivo da reinstalação, disse, não é transformar a igreja num “museu separado da vida real”, mas devolver o património ao seu lugar natural, com melhores condições de conservação e comunicação.

“Quisemos fazer o contrário, que foi trazer as técnicas que o museu tem de comunicação e de conservação para o espaço da própria igreja”, explicou.

Para o regresso do espólio à sua casa foi necessário instalar na sacristia novas vitrinas e sistemas de monitorização da temperatura e da humidade, para reforçar a conservação das peças.

O arquiteto defendeu que, após a reabertura ao público, em julho, o espólio vai poder ser usufruído por habitantes e visitantes, num templo que “continua vivo [e] onde continua a ocorrer a festa e a missa diária”.

Além do restauro do templo e da conservação do tesouro, o projeto financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no valor global de 450 mil euros, prevê ainda o lançamento de uma monografia sobre a igreja e o 5.º centenário da morte de Vasco da Gama.

A Igreja de Nossa Senhora das Salas foi mandada construir pelo navegador Vasco da Gama na sua terra natal, no cumprimento de um voto de agradecimento pelo êxito da sua viagem marítima à Índia, em 1498. 

A mostra conta igualmente com uma imagem de Nossa Senhora que “estava na igreja onde Vasco da Gama foi crismado, em 1480”, e uma imagem de São Bartolomeu, de cerca de 1500, “da altura em que Vasco da Gama voltou da Índia e foi viver para Sines”.

Mais notícias

Évora_27 desafia os 47 municípios a unirem-se em torno da Orquestra Regional do Alentejo

A presidente da Associação Évora_27, Maria do Céu Ramos, afirmou esta sexta-feira que a...

Ministra diz que Orquestra Regional do Alentejo vai preencher uma “lacuna” e criar emprego qualificado (c/fotos)

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, afirmou esta sexta-feira, em...

Vila Viçosa recebe concerto ao ar livre com guitolão e contrabaixo nos Jardins do Paço Ducal

Os Jardins do Paço Ducal de Vila Viçosa vão receber, no próximo dia 31...

Programa de capacitação da Évora_27 já reuniu uma centena de agentes culturais do Alentejo

O programa de capacitação Linha de Encontro, desenvolvido no âmbito da Évora_27 – Capital...

Há um debate em Évora que quer mudar a forma como pensamos a arquitetura

A Cooperativa Giraldo Sem Pavor, no Bairro da Malagueira, em Évora, recebe, no dia...

Grupo Pró-Évora alerta que novas zonas para centrais solares podem alterar “radicalmente” a paisagem de Évora

O Grupo Pró-Évora considera que a eventual classificação da zona norte do concelho de...

Um antigo moinho no Alentejo transformou-se num hotel sustentável e acaba de receber uma certificação internacional

Há cada vez mais hotéis a apostar na sustentabilidade, mas poucos conseguem fazê-lo preservando...

Exposição no Freixo recupera imagens dos monumentos megalíticos de Redondo

O espaço exterior da Casa do Povo do Freixo, no concelho de Redondo, recebe,...

Fórum romano de Beja alvo de intervenções para aberturas acompanhadas ao público

O projeto do fórum romano de Beja entrou numa nova etapa de estudo e valorização...