De acordo com a Associação Industrial Portuguesa – Câmara de Comércio e Indústria (AIP-CCI), Portugal vive uma situação de quase pleno emprego, mas o mercado de trabalho não está a suprir as necessidades das empresas.
O mais recente Inquérito à Atividade Empresarial mostra que, apesar do recorde de 5,1 milhões de trabalhadores empregados, uma em cada quatro empresas aponta o mercado de trabalho como o maior desafio à competitividade, ultrapassando até a carga fiscal.
A escassez de trabalhadores qualificados é identificada como o principal entrave ao crescimento das empresas, com Paulo Alexandre Caldas, Diretor de Economia, Financiamento e Inovação da AIP-CCI, a destacar que “há vontade de crescer e de internacionalizar, mas muitas vezes as empresas veem-se limitadas pela falta de pessoas qualificadas”.
A dificuldade em contratar novos trabalhadores tem gerado stress nas gestões empresariais, superando os fatores financeiros, e colocando o mercado de trabalho à frente do sistema fiscal como maior obstáculo ao crescimento. Segundo José Eduardo Carvalho, Presidente da AIP, o sistema fiscal atual, composto por 4.300 impostos e taxas, é um fator que asfixia as empresas, sendo urgente uma revisão.
Apesar dos desafios, as empresas revelam uma situação financeira estável: 52% consideram a sua situação financeira “normal”, e 40% dizem que é “boa” ou “muito boa”. Contudo, a dependência do financiamento bancário persiste, reflexo de uma reduzida literacia financeira entre as PME, uma situação que a AIP pretende alterar através de iniciativas que visam reforçar as competências financeiras destas empresas.
O inquérito também revela que a maioria das empresas não prioriza o investimento em Investigação & Desenvolvimento (I&D), com 47% a afirmar que raramente investem nesta área. A baixa prioridade dada ao I&D e à sustentabilidade ambiental é preocupante, especialmente num momento em que a transição energética é vista como essencial para o crescimento sustentável das empresas.
O panorama positivo da situação financeira das empresas abre caminho ao investimento, mas com uma distribuição limitada. Grande parte das empresas (47%) planeia manter o nível de investimento ao mesmo nível de 2023, com apenas 22% a considerar um aumento. A maior parte do investimento previsto será direcionado para equipamento produtivo, tecnologias de informação e comunicação, e qualificação de recursos humanos, refletindo a necessidade de reforço na produção e digitalização.
Em resumo, apesar da estabilidade financeira, a falta de recursos humanos qualificados e a excessiva carga fiscal são identificadas como os principais desafios que limitam o crescimento e a competitividade das empresas portuguesas, num contexto internacional complexo e desafiante.



















