O Presidente da Comissão Nacional da UNESCO, Embaixador José Filipe Moraes Cabral, participou esta terça-feira na celebração dos 39 anos da inscrição do centro histórico de Évora na lista de Património Mundial. Na sua intervenção, o diplomata sublinhou que esta distinção representa uma responsabilidade permanente e que exige ação continuada.
O embaixador afirmou que o aniversário não deve ser apenas comemorativo. «Este momento não é apenas uma efeméride. É uma oportunidade para refletirmos sobre o caminho percorrido, afirmarmos compromissos e projetarmos o futuro desta cidade e, muito especialmente, do seu centro histórico», afirmou.
Valor Universal Excecional exige gestão rigorosa
O responsável recordou que a classificação atribuída em 1986 reconheceu dois critérios fundamentais: a influência da arquitetura portuguesa no mundo e o exemplo excecional de preservação de uma cidade da Idade de Ouro portuguesa. «O Comité do Património Mundial reconheceu o valor universal excecional de Évora através de dois critérios», referiu, sublinhando a obrigação de garantir que este valor se mantém intacto ao longo do tempo.
O embaixador reforçou que esta distinção «continua a ser um compromisso e uma responsabilidade universal», lembrando que o património pertence também à humanidade e deve ser transmitido às próximas gerações de forma íntegra.
Plano de Gestão é urgente
O embaixador recordou que Évora tem sido exemplo de boas práticas, com intervenções em monumentos, reabilitação do espaço público e ações educativas. No entanto, alertou para a necessidade de dar um passo decisivo na organização da gestão patrimonial. «Esperamos que em breve seja elaborado o Plano de Gestão de Évora Património Mundial, como exigido pela UNESCO, e que, convenhamos, tem tardado para além do razoável», afirmou.
Segundo o diplomata, este instrumento é essencial para regular usos, orientar intervenções e assegurar uma gestão integrada do centro histórico. «Cada intervenção, cada decisão urbanística, cada projeto cultural deve respeitar este compromisso», disse, defendendo uma visão articulada entre conservação, mobilidade e sustentabilidade.
Património, mobilidade e sustentabilidade
O Presidente da Comissão Nacional da UNESCO destacou que a preservação não se faz apenas através da conservação física, mas também com políticas integradas. Referiu a necessidade de reduzir tráfego automóvel, criar zonas pedonais e melhorar o transporte público. «É fundamental desenvolver um centro histórico mais seguro e mais acessível», afirmou.
O diplomata considerou ainda que Évora deve continuar a articular a gestão patrimonial com políticas municipais como o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável e a Estratégia de Adaptação às Alterações Climáticas.
A oportunidade de Évora 2027
O embaixador destacou ainda a importância da Capital Europeia da Cultura. «Não podemos esquecer a oportunidade histórica que se abre com a designação de Évora como Capital Europeia da Cultura em 2027», afirmou, defendendo que este ciclo deve projetar a cidade internacionalmente, atrair investimento e valorizar iniciativas culturais alinhadas com a autenticidade histórica.
Garantir o futuro do património
Moraes Cabral reafirmou que o conceito de Valor Universal Excecional deve permanecer no centro das decisões. «Preservar o legado histórico de Évora exige que sejam rigorosamente cumpridos os requisitos que determinaram o reconhecimento da UNESCO», disse, alertando que turismo, economia e mobilidade não podem comprometer os atributos que tornam Évora única.
O responsável concluiu que o aniversário deve marcar um compromisso reforçado com o futuro. «Que este aniversário seja um momento de reflexão e compromisso para que daqui a 40 anos seja possível celebrar não apenas a permanência, mas a renovação de Évora como Património da Humanidade», afirmou.



















