O Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou este sábado, em Vila Viçosa, que Portugal está empenhado no reforço do pilar europeu de defesa da NATO, salientando que o investimento nas Forças Armadas visa garantir a paz e a segurança no atual contexto internacional.
As declarações foram prestadas à margem do concerto da Banda da Armada com o grupo de cantares alentejanos “En’canta Modas”, que decorreu na Igreja dos Agostinhos, no âmbito das comemorações do 51.º aniversário do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).
«Investir na defesa é pensar na paz»
Nuno Melo destacou que o panorama geopolítico global é cada vez mais instável e que os países europeus devem assumir um papel mais ativo na defesa comum. «O mundo hoje está mais imprevisível e perigoso», afirmou, sublinhando que «depois de um longo tempo de paz desde o final da Segunda Guerra Mundial», as recentes alterações estratégicas obrigam a uma nova resposta coletiva.
O ministro referiu que Portugal está a cumprir esse desígnio através do reforço das suas capacidades e da indústria de defesa. «Estamos a investir nas Forças Armadas, robustecendo as indústrias de defesa e garantindo que Portugal, no contexto dos nossos aliados, é capaz de cumprir missões dentro e fora de fronteiras», referiu..
Sublinhou, no entanto, que esse investimento não tem natureza bélica: «Quando investimos nas Forças Armadas e na defesa nacional, é pensar na paz, não é pensar na guerra».
Equipamentos com dupla utilização e apoio civil
Nuno Melo destacou que o reforço da capacidade militar portuguesa inclui a aquisição de equipamentos com dupla utilização, úteis também em contexto civil e humanitário. «Estamos a pensar em equipamentos que têm grande utilização na ajuda ao povo português — na emergência médica, no combate aos fogos, no transporte de órgãos para transplantes, no repatriamento de cidadãos e em missões espalhadas por todos os continentes», explicou.
O governante acrescentou que este investimento tem permitido «trazer a defesa nacional para a primeira linha da política» e garantir que o país está preparado para responder aos desafios da atual conjuntura internacional.
Contexto internacional e papel de Portugal
O ministro referiu que as transformações geoestratégicas recentes colocam a Europa perante novas responsabilidades. «Os Estados Unidos centram a sua atenção no Pacífico. Temos uma guerra na Ucrânia e outra no Médio Oriente. A estabilidade está longe de estar à vista», observou.
Perante este cenário, Portugal «tem reforçado o pilar europeu de defesa da NATO» e procurado consolidar a sua capacidade de resposta militar. «Estamos a fazer muito pela defesa nacional, embora as razões não sejam as melhores», acrescentou.
Vila Viçosa como palco das comemorações
Questionado sobre a escolha de Vila Viçosa para as celebrações, o Ministro da Defesa afirmou que a vila «está ligada ao melhor da portugalidade». «É difícil conceber lugares tão bonitos como este, onde hoje prestamos homenagem às Forças Armadas», referiu, elogiando a envolvência do concerto na Igreja dos Agostinhos. «Foi um momento que todos guardarão, pela conciliação entre a Banda da Armada e os cantares alentejanos, num cenário de grande história e monumentalidade».
Homenagem aos militares portugueses
No final, Nuno Melo deixou uma mensagem às Forças Armadas portuguesas por ocasião do 51.º aniversário do EMGFA. «Continuem a ilustrar o melhor de Portugal. Como dizia Mouzinho de Albuquerque, Portugal é terra de soldados. Desde o nascimento da pátria, tudo o que temos existe por causa dos soldados», afirmou.
As declarações de Nuno Melo ocorreram durante o primeiro dia das comemorações do 51.º aniversário do Estado-Maior-General das Forças Armadas, que decorrem este fim-de-semana em Vila Viçosa. O programa incluiu o lançamento do livro «Estado-Maior-General das Forças Armadas – 50 anos» e o concerto da Banda da Armada com o grupo “En’canta Modas”, seguindo-se no domingo a cerimónia militar no Terreiro do Paço Ducal.


















