A Câmara Municipal de Elvas lançou um concurso público para a reabilitação do Paiol de Santa Bárbara, num investimento com um preço base de 1.029.671,49 euros, acrescido de IVA.
O procedimento prevê um prazo de execução de 450 dias e conta com financiamento de fundos da União Europeia.
A intervenção pretende recuperar o edifício histórico situado no Baluarte de Santa Bárbara, junto ao Castelo de Elvas, e integrá-lo no atual circuito turístico daquele monumento.
O projeto contempla a criação do Centro Interpretativo da Batalha das Linhas de Elvas, além da adaptação do antigo armazém militar para funcionar como galeria e sala de eventos, com uma área útil próxima dos 170 metros quadrados.
Novo percurso vai ligar o paiol ao Castelo de Elvas
A área total de intervenção abrange cerca de 4.155 metros quadrados, enquanto o espaço delimitado pelos muros de proteção do paiol tem uma área de implantação de aproximadamente 698 metros quadrados.
Está prevista a criação de uma passagem pedonal acessível entre o Paiol de Santa Bárbara e o Castelo de Elvas, permitindo que o edifício passe a integrar o complexo turístico e o circuito de visitas já existente.
No interior, o projeto inclui uma zona de receção com 24,66 metros quadrados, instalações sanitárias, uma instalação sanitária adaptada a pessoas com mobilidade condicionada, a galeria e sala de eventos e um pátio com 67,30 metros quadrados.
Para ultrapassar as diferenças de cota existentes no edifício, serão instaladas estruturas metálicas autoportantes e rampas, sem fixações permanentes nas paredes históricas. A solução pretende permitir a circulação de visitantes e preservar os pavimentos e outros elementos existentes.
Projeto prevê recuperação de coberturas, paredes e abóbadas
O documento consultado pelo Jornal ODigital.pt identifica vários sinais de degradação no Paiol de Santa Bárbara, entre os quais fissuras nas paredes, humidade, deterioração dos rebocos, problemas de drenagem e desgaste da cobertura.
O documento refere ainda a existência de telhas deslocadas ou partidas, infiltrações e fissuras nas abóbadas interiores, situações que podem comprometer a conservação do imóvel.
A empreitada deverá incluir a recuperação e impermeabilização da cobertura, o tratamento da humidade, a reparação das paredes e abóbadas e a instalação das infraestruturas necessárias à utilização pública do espaço.
O projeto privilegia a utilização de materiais compatíveis com a construção existente, incluindo pedra, tijolo, madeira, telha de barro e argamassas de cal. Os elementos originais, como portas, janelas e pavimentos cerâmicos, deverão ser preservados ou recuperados sempre que o seu estado de conservação o permita.
Edifício foi depósito de munições e picadeiro
O Paiol de Santa Bárbara começou a ser construído no século XVII e foi reformulado nos séculos XVIII e XIX. O edifício, também conhecido no século XIX como “Caza das Bombas”, foi utilizado para armazenamento de munições e material militar.
Localizado no interior do Baluarte de Santa Bárbara, foi concebido com paredes espessas e uma cobertura preparada para resistir a explosões e ataques.
Em 1926, o imóvel passou a ser utilizado pelo Grupo de Artilharia a Cavalo n.º 1, tendo o antigo armazém sido transformado num picadeiro interior. O grupo foi extinto em 1938 e o edifício manteve grande parte dessa configuração nas décadas seguintes.
A proposta de reabilitação prevê conservar alguns testemunhos desta fase, incluindo uma estrutura de proteção construída junto às paredes durante a utilização do espaço para atividades de equitação.
O Paiol de Santa Bárbara integra o património militar de Elvas e encontra-se inserido no conjunto histórico classificado como Património Mundial pela UNESCO.




















