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Educação rodoviária deve ser reforçada nas escolas e universidades, defende Filomena Araújo

Filomena Araújo, presidente da GARE – Associação para a Promoção de uma Cultura de Segurança Rodoviária, apelou a uma aposta séria na educação rodoviária, destacando a sua importância em todos os níveis de ensino, incluindo o secundário e o universitário.

A responsável falou aos jornalistas à margem a cerimónia nacional do Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada, realizada em Évora, tendo sublinhado que a prevenção passa por formar cidadãos mais conscientes dos perigos na estrada.

«Os nossos jovens estão cada vez mais expostos aos riscos do trânsito, mas não estamos a prepará-los adequadamente para a realidade das estradas», afirmou Filomena Araújo. «Neste momento, vemos muitos alunos do secundário a conduzir quadriciclos sem qualquer formação ou carta de condução, o que é alarmante. Em países como França, os estudantes têm aulas específicas sobre segurança rodoviária durante o secundário. É um modelo que deveríamos seguir», defendeu.

A presidente da GARE alertou para a falta de um plano integrado que inclua a educação rodoviária de forma obrigatória nos currículos escolares e nos programas universitários. «Embora existam referenciais criados pela Direção-Geral da Educação, não houve formação de professores nem integração efetiva nos currículos. Esta lacuna deixa os jovens desprotegidos num momento crucial das suas vidas», destacou.

Filomena Araújo defendeu ainda que as universidades também devem integrar estas aprendizagens nos seus programas. «É um erro esquecer as universidades. Jovens entre os 20 e os 29 anos continuam a ser uma faixa etária com elevados índices de mortalidade rodoviária. São vidas perdidas que representam um impacto social e económico grave para o país. Muitos acabam os seus cursos e perdem a vida pouco depois. Não podemos aceitar esta realidade», disse.

A dirigente abordou também o aumento de atropelamentos em áreas urbanas, particularmente envolvendo crianças e idosos. «As zonas urbanas tornaram-se mais perigosas. Enquanto nas autoestradas e estradas nacionais os acidentes diminuíram, nos centros urbanos o número de atropelamentos aumentou. As crianças, que circulam para as escolas, e os idosos, com mobilidade reduzida, são as principais vítimas», alertou.

Filomena Araújo apontou a necessidade de uniformizar a sinalética e reduzir os limites de velocidade em todas as cidades. «Há locais, como Évora, onde algumas ruas têm limite de 30 km/h, mas a sinalização é insuficiente e passa despercebida. É fundamental que esta uniformização seja obrigatória e que haja fiscalização adequada para prevenir acidentes», reforçou.

No âmbito das comemorações do Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada, que em Évora já se realizam há 20 anos, Filomena Araújo deixou um apelo à ação coletiva. «O lema deste ano – lembrar, apoiar e agir – é um alerta para todos nós. Lembrar as vítimas, apoiar as famílias e agir para evitar futuras tragédias são passos que não podemos adiar», concluiu.

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