“É uma decisão ridícula, lamentável e de facto um atentado à população”, diz Presidente da Junta de Pardais sobre as medidas da IP

Inácio Esperança

Como temos vindo a acompanhar, a empresa Infraestruturas de Portugal decidiu cortar a Estrada Nacional 254, no troço que liga Vila Viçosa a Bencatel, mas também decidiu limitar a circulação apenas a veículos ligeiros na Estrada Nacional 255, no troço que liga Vila Viçosa a Pardais.

Assim, a partir desta sexta-feira está interdito o tráfego pesado ao Km 10+800 da EN255, entre Vila Viçosa e Pardais. Uma decisão que também está a causar alguma indignação na população de Pardais, pois esta medida vai prejudicar o transporte das crianças para as escolas, o transporte de matéria prima proveniente das pedreiras, mas também impedirá que um veículo pesado dos bombeiros passe por aquele local em caso de emergência na localidade de Pardais.

ODigital.pt falou, esta sexta-feira com o Presidente da Junta de Freguesia de Pardais, Inácio Esperança, que se manifestou sobre o condicionamento da estrada que serve a sua freguesia, como de toda a situação criada pela Infraestruturas de Portugal no concelho.

“É uma decisão ridícula, lamentável e de facto um atentado à população”

O Autarca começou por dizer que esta decisão de condicionar a Estrada Nacional 255 é “ridícula, lamentável e de facto um atentado à população. Não há até agora nenhuma justificação, que pelo menos tenha sido apresentada, que mostre que há perigo de derrocada naquela estrada. A pedreira está inativa há 30 anos, não há exploração de pedra ali, não é uma pedreira com um tamanho significativo, portanto, aquilo que vulgarmente se denomina por buraco é uma coisa muito fácil tapar”.

“Este Estado Português quer abandonar Vila Viçosa e Borba, porque durante anos não cumpriu a sua missão”

Inácio Esperança salienta que “passaram dois anos desde a derrocada da estrada de Borba e da supressão de uma via naquele local [Km 10+800 da EN255] e não percebemos porque é que durante estes dois anos, se havia perigo, não foi feito nada”, e aponta que “estes senhores da IP, se há perigo, andaram durante dois anos a colocar-nos em perigo a todos e então são verdadeiros criminosos.”

Nós sabemos que isto é uma forma de pressão da IP para que se municipalizem as estradas, ou seja, o Estado aquilo que quer é desviar as responsabilidades de todas as estradas do concelho de Vila Viçosa e Borba, abandonou Vila Viçosa e Borba, este Estado Português quer abandonar Vila Viçosa e Borba, porque durante anos não cumpriu a sua missão que era fiscalizar a exploração de pedreiras, licenciando pedreiras de toda a maneira e feitio e agora aquilo que faz é abandonar o povo na altura que ele mais precisava dele”, refere ainda o Presidente da Junta de Pardais.

Não merecem os cargos que ocupam e deviam pedir desculpas às pessoas”

Perante estas decisões, Inácio Esperança considera que “não merecem os cargos que ocupam e deviam pedir desculpas às pessoas e tentar resolver problemas pessoas”.

A Freguesia de Pardais está a comer por tabela”, refere o Autarca, explicando que “o Estado Português e o Governo Português quer se livrar da estrada que liga Vila Viçosa a Bencatel e esta foi a forma que encontrou de fazer pressão sobre o município e sobre uma população e sobre autarquias que nada podem contra um Estado todo poderoso”.

“As crianças quando regressarem às aulas terão de fazer, por proposta da IP, mais 40 quilómetros diários para chegar à Escola”

Inácio destaca o facto de “o que se passa neste momento, é que estão a pôr em perigo a saúde das pessoas, porque está em causa o socorro às populações, porque todos os carros de bombeiros pesados também não poderão passar e depois infelizmente as crianças quando regressarem às aulas terão de fazer, por proposta da IP, mais 40 quilómetros diários para chegar à Escola Secundária de Vila Viçosa e ao Ciclo Preparatório e à Primária, é vergonhoso aquilo que está a passar!

Está em causa a saída de matéria prima. Diabolizaram o sector dos mármores”

Já sobre a economia da freguesia, nomeadamente na indústria dos mármores, Inácio Esperança afirma que “está em causa a saída de matéria prima. Diabolizaram o sector dos mármores. É um sector que pode ter os seus problemas como todos os outros onde há gente séria e onde há gente menos séria, como em todos os outros sectores, mas não podem ser tomados todos pela mesma medida e não podem diabolizar o sector, isto é também tentar aniquilar um sector que é essencial a estes concelhos esta região”.

Já sobre o transporte das crianças para a escola, o Presidente da Junta de Pardais explica que “é muito complicado, porque o autocarro tem que ir buscar as crianças voltar para trás, e a IP não o diz, porque tem vergonha de dizer, para se usarem as estradas municipais e a solução que apresenta são 40 quilómetros, felizmente não é necessário, porque há uma solução de 20 quilómetros que resolve a questão, mas estamos a falar de quase triplicar a quilometragem para chegar à escola e estamos a falar das crianças que têm que se levantar uma hora mais cedo para fazer este percurso”.

Espero que esta birra da IP passe depressa e possa no fundo resolver as questões com a Câmara Municipal, para que efetivamente Pardais e Bencatel possam voltar a ter acesso decentes”.

Deviam mostrar à população os pareceres do LNEG e onde diz que há perigo de derrocada”

Questionado sobre possíveis alternativas, Inácio Esperança deixa claro que na estrada que liga a Pardais “aquilo que deve e pode ser feito é tapar a pedreira, porque uma máquina com uma semana e meia de trabalho tapa aquela pedreira, porque tem aterro ao lado, é uma pedreira pequena, não tem qualquer problema não precisam de fazer mais investimento nenhum, nem despesa nenhuma, mas se o fizerem é um crime, porque estão a gastar dinheiro indevidamente numa questão que não tem problema e repito deviam mostrar à população os pareceres do LNEG e onde diz que há perigo de derrocada na estrada de Pardais, eu gostava de ver esses pareceres”.

Já sobre a estrada de Bencatel, Inácio Esperança também dá a sua opinião e diz que “a questão é um bocadinho mais complexa, porque há pedreiras de um lado e do outro da estrada”.

“Estes dirigentes que são puras marionetes do senhor António Costa, do Primeiro Ministro, deviam ter vergonha”

Inácio Esperança conclui acusando os responsáveis da IP, de “quererem lavar as mãos desta situação, chama-se limpar as mãos do problema, não se chama resolver os problemas às populações e ajudar as povoações, isto é que tem que ser dito, tem que ser denunciado e estes dirigentes que são puras marionetes do senhor António Costa, do Primeiro Ministro, deviam ter vergonha daquilo que estão a fazer à população de onde pertencem, porque estes dirigentes são pessoas da zona, são pessoas do Alentejo e estão a fazer isto aos seus concidadãos e as pessoas do Alentejo precisamente porque são marionetas, são nomeados políticos, são marionetes destas pessoas!”