“É muito frequente encontrar crianças nas áreas metropolitanas que não conseguem distinguir uma árvore”, diz Presidente da Republica em conferência da CAP (c/som e fotos)

A localidade de Grândola, no Litoral Alentejano, recebeu esta quarta-feira (17 de Abril) a 2ª conferência do ciclo sobre Gestão Florestal, Território e Riscos Naturais que a CAP tem vindo organizar, iniciativa a que o Presidente da República se associou com a sua presença em Grândola.

Intitulada “Montados, Sobreirais e Azinhais”, reuniu dezenas de agricultores, bem como outras entidades ligadas a este sector agrícola.

Esta conferência contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que encerrou o evento e falou sobre o pouco conhecimento e sensibilidade que as populações das áreas metropolitanas têm relativamente ao mundo rural, dizendo que “tornou-se mais raro aquilo que era frequente na minha meninice, que era falar-se de não haver muitas famílias vivendo nessas áreas metropolitanas que não tivesse uma ligação à terra e que não tivessem referências próximas dessa vivência rural e isso perdeu-se e perdeu-se nas áreas urbanas e suburbanas, deixar de entender fenómenos que eram naturais na vida das pessoas ao longo de séculos, de tal maneira que o Presidente da CAP quase pediu desculpa por termos ido ao campo a chover, quando essa é uma situação perfeitamente normal.”

Marcelo Rebelo de Sousa foi mais longe e criticou a educação das gerações, afirmando que “é muito frequente encontrar crianças nas áreas metropolitanas que não conseguem distinguir uma árvore, já não direi que o mesmo acontecem com os animais, porque ai há um cuidado de aprendizagem mínimo e básico, mas a compreensão dos ciclos de produção, a compreensão dos fenómenos agrícolas ou pecuários ou florestais, é uma compreensão que é alheia de todo em todo, não é apenas das crianças de hoje nas áreas metropolitanas, é os jovem e uma parte considerável da população adulta e esse é um problema complicado de mentalidade, já não é um problema de sensibilidade eleitoral, é um problema de mentalidade.”

O Chefe de Estado alertou também para uma certa falta de atenção pelas áreas rurais por terem pouco importância eleitoral, dizendo que “é um problema de sensibilidade eleitoral, porque é evidente que estando localizadas muitas estas realidades em círculos eleitorais com menor expressão em termos de afirmação politica, pesam menos nos decisores públicos.”