Domingo, Dezembro 4, 2022
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“É a demografia o foco da nossa atenção nos próximos 10 anos”, diz Tiago Teotónio Pereira em grande entrevista

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Licenciado em Ciência Política (ISCSP-UL), pós-graduado em Economia e Políticas Públicas (ISCTE-IUL) e mestre em Políticas Públicas e Projetos (U. Évora) e coordenador desde 2021, a preparação de documentos para o ciclo de programação de fundos europeus de 2021-2027.

Tiago Teotónio Pereira assumiu recentemente o cargo de vogal executivo da Comissão Diretiva da Autoridade de Gestão do Programa Operacional Regional do Alentejo.

Tiago Teotónio Pereira, é natural de Marvão, vai a partir de agora integrar a equipa que tem por missão a gestão, o acompanhamento e a execução do programa operacional regional.

ODigital.pt esteve à conversa com Tiago Teotónio Pereira de forma a conhecer as suas ideias para o território e o que se pode esperar do seu trabalho como vogal executivo da Comissão.

“Este é, até ao momento, o maior desafio profissional da minha vida”

ODigital.pt (OD) – Quem é Tiago Teotónio Pereira

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Quero também, antes de mais, agradecer esta oportunidade e assim inaugurar aquilo que é uma proximidade que se quer com todos os atores e claro com a comunicação social. Mas respondendo à sua pergunta, o Tiago é um cidadão natural de Marvão, que é pai de um filho, que sonha por uma região melhor e é por isso que tem lutado desde aquilo que é o associativismo juvenil, numa fase em que nós devemos desenvolver as nossas competências, depois, a nível da formação académica e depois, mais tarde, naquilo que são os desafios profissionais e tenho este que é, até ao momento, o maior desafio profissional da minha vida.

ODigital.pt (OD) – E como é que surgiu esta designação do Tiago como Vogal Executivo da Comissão?

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Acaba por surgir de forma natural, porque tendo vindo para a CCDR com o propósito de apoiar naquilo que foi, não só a complementaridade do PRR, mas o desenho do Programa Regional 2030, esse trabalho que faz neste momento um ano, acabou por dar espaço àquilo que era, digamos que uma característica que acabei por conseguir também nesta casa, que é ligar vários atores, criar sinergias e fazer com que as coisas vão acontecendo e isso agradecer com maior confiança, em primeiro lugar, da atual Comissão Diretiva, mas depois também da tutela, que confiaram naquilo que são as minhas capacidades para emprestar a este cargo.

“A nossa região real tem ainda muitos aspetos que merecem a nossa atenção e energia”

ODigital.pt (OD) – E essa ligação aos agentes que já vinha construindo nos últimos anos, nomeadamente no IPDJ.

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Sim no IPDJ, nas associações e naquilo que é o trabalho também de desenvolvimento regional que vinha a ser feito, de facto, que no Instituto do Desporto e da Juventude foi de facto uma porta para conhecer muitos agentes e podemos focalizar na preponderância que as autarquias têm no nosso contexto e quando falo em autarquias falo verdadeiramente naquilo que são os municípios e as freguesias e, como é sabido, o trabalho que vem sendo desenvolvido também nesse setor abriu a porta para o conhecimento da nossa região real e a nossa região real tem ainda muitos aspetos que merecem a nossa atenção, mas que merecem, acima de tudo, a nossa energia.

“Um dos grandes desafios é precisamente alinhar este potencial de desenvolvimento de cada um dos territórios”

ODigital.pt (OD) – Para assumir o cargo para o qual foi agora designado é necessário conhecer bem o território, conhece todas as especificidades da região?

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Eu acho que tenho o privilégio de estar numa presidência da CCDR que tem tido como bandeira essa proximidade e o presidente Ceia da Silva, aquando da sua candidatura, disse que iria estar muito mais tempo no terreno do que dentro dos gabinetes e eu acho que tem cumprido essa promessa e, por isso, eu tenho também o privilégio de estar numa equipa que já tem essa essa bandeira. O Alentejo, sobretudo a nível da programação e as suas cinco sub-regiões, é muito diferente, e um dos grandes desafios é precisamente alinhar este potencial de desenvolvimento de cada um dos territórios. Porque se olharmos para a região que tem o melhor daquilo que é um score de desenvolvimento económico e a mesma região que tem o pior score de desenvolvimento mitigação ambiental que é o Alentejo Litoral e depois temos outra região que concentra aquilo que é a melhor pontuação a nível ambiental, com pior a pontuação a nível de desenvolvimento económico, que é o Alto Alentejo, logo, nós temos que precisamente alinhar este potencial da região. É um desafio que só se consegue concretizar se conhecermos verdadeiramente cada uma das nossas terras, cada uma das nossas freguesias, cada um dos nossos concelhos e, por final, cada uma das nossas sub-regiões e temos cinco sub-regiões muito diferentes e vamos ter precisamente alinhar este potencial de desenvolvimento.

“Há uma diferença entre ter uma estratégia e usar uma estratégia”

ODigital.pt (OD) – Como é que é possível alinhar todas essas regiões de forma que essas diferenças possam desaparecer?

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Em primeiro lugar, temos que ser motor de consensos, isto é, temos que conseguir que a região possa chegar a acordo sobre o que quer e depois temos que ter instrumentos, começando no planeamento e, de facto, eu falei ainda há pouco do privilégio de estar numa equipa que tem a proximidade como bandeira, mas também estar numa casa que tem pensamento estratégico forte, isto é, os documentos como uma estratégia regional ou estratégia de especialização inteligente são muito importantes para nos guiarem na ação e, por isso, como é que nós conseguimos alinhar estes territórios? É tendo instrumentos em primeiro lugar de planeamento, mas depois de financiamento, e aqui a Comissão Diretiva e a Autoridade de Gestão, têm um papel importante de poder alinhar de acordo com aquilo que é a expetativa de cada um destes territórios. Nós temos hoje, em cada uma das comunidades intermunicipais projetos claros, desafios concretos e é isso que nós temos que corresponder. Mas antes disso há uma ideia, há uma estratégia e eu tenho dito muitas vezes e vou hoje dizer aqui que há uma diferença entre ter uma estratégia e usar uma estratégia e aquilo que nós queremos é usar a nossa estratégia e alinhá-la com aquilo que são as estratégias de cada uma destas comunidades intermunicipais.

ODigital.pt (OD) – E essas estratégias alinham-se, por exemplo, com as estratégias dos autarcas e até mesmo dos agentes da região.

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – E, mais do que isso, das empresas, das IPSS’s e do nosso setor científico e de investigação e é precisamente neste espaço que nós temos que trabalhar. Nós percebemos que não conseguimos corresponder nem a nível de expetativas, nem a nível de dotação financeira, com aquilo que vão sendo as aspirações de todo o território mas, a nossa capacidade aqui é de ligar estes atores e vou dar um caso muito concreto, nós tivemos aqui uma sessão sobre inovação social, que é um dos pilares daquilo que queremos fazer no futuro neste território que tem essa capacidade de gerar parcerias entre parceiros públicos e IPSS e privados que financiam aquilo que é o desenvolvimento ou um ataque a um problema que é socialmente complexo e que requer uma resposta inovadora e, por isso, em jeito de conclusão, diria que nós temos que corresponder às expectativas. Não teremos nunca a dotação financeira suficiente, mas temos que conseguir tirar o máximo de cada parceiro e eu acho que estamos a percorrer esse caminho.

“É a demografia o foco da nossa atenção nos próximos dez anos e por isso é aí que temos que alinhar as nossas forças”

ODigital.pt (OD) – E tendo em conta que o diz, de todas as temáticas do programa operacional, qual é que vai ser nos próximos tempos a mais desafiante de aplicar se neste território alentejano?

Tiago Teotónio Pereira (TTP) –  Eu acho que existem dois grandes desafios, mas que têm uma bandeira e um tronco comum, o tronco comum é a demografia, isto é, nós temos dito em todos os capítulos que é a demografia o foco da nossa atenção nos próximos dez anos e por isso é aí que temos que alinhar as nossas forças e depois temos alguns objetivos que acabam por ser transversais, ou seja, nós temos que perceber que o alinhamento do mundo tem vindo a mudar sucessivamente com aquilo que são os grandes eventos à escala mundial, como foi a pandemia, como está a ser a guerra na Ucrânia e que levaram claramente a que dois paradigmas, como o digital, mas também a energia, sejam fios condutores da definição de políticas públicas e nós depois sabemos que debaixo destes desafios que são transversais, temos aquilo que é o foco para atacar a demografia, que é termos emprego, termos serviços de interesse geral que vão desde a saúde, à habitação, as respostas sociais e por isso temos que alinhar aqui um conjunto de instrumentos para que possamos servir aquilo que são os domínios mais transversais. Mas o que é objetivo central é claramente a demografia, isto é, nós vamos ter que começar a contabilizar cada euro quantas pessoas fixa e atrai.

ODigital.pt (OD) – E esse grande desafio pode ser mesmo atingível ou terá de haver muito trabalho de todas as partes para se atingir esse objetivo?

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Temos que tirar mesmo o melhor de cada parceiro. Nós temos lançado diversos desafios aos agentes, que é trabalharmos numa perspetiva de termos uma agenda digital para o território, de termos um plano que possa monitorizar aquilo que é a nossa transição energética e aquilo que está a acontecer em cada um dos nossos territórios e temos que depois tirar partido dos grandes investimentos e dar aqui um efeito multiplicador. Vamos ver de forma muito concreta três ou quatro deles, quando temos o hub das energias renováveis no Alentejo Litoral e perceber que Sines hoje é, de facto, um fator crítico para o desenvolvimento da nossa região e se o alinharmos precisamente a questão da conclusão da ferrovia até ao caia, nós temos aqui de facto, uma verdadeira oportunidade, que é uma oportunidade para toda a região. Quando falamos na conclusão do Hospital Central, percebemos que o Hospital Central vai ser muito mais do que apenas um hospital, vai ter que fixar aqui conhecimento e investigação médica e isso é fundamental para que possamos fixar e atrair quadros ou, por exemplo, indo a um projeto do PRR, como é o empreendimento de fins múltiplos do Crato pode significar uma disrupção naquilo que é o paradigma agro-alimentar, até da própria região, constituindo se, em primeiro lugar, como uma reserva importante de água e, por isso, temos aqui desafios que são verdadeiramente importantes, mas que podíamos falar da ferrovia ou da eletrificação da ferrovia até Beja, ou seja, há um conjunto de grandes investimentos que vão ter efeitos multiplicadores na definição das políticas públicas dos próximos anos na região.

“O volume que temos de fundos comunitários nos próximos anos é como nunca houve até aqui”

ODigital.pt (OD) – E o próprio território e os próprios agentes estão preparados para de satisfazer todas essas exigências.

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Começa aí a nossa capacidade de capacitar e de termos de facto também em execução, porque nós sabemos que o volume que temos de fundos comunitários nos próximos anos é como nunca houve até aqui e, por isso, uma das nossas preocupações tem sido precisamente a capacitação e queremos avançar nos próximos tempos com propostas concretas para que possamos também capacitar parceiros, ajudá-los também a executar, a perceber quais são todas as linhas de financiamento disponíveis e isso faz-se com essa proximidade, com o conhecimento e com a fixação de talento na nossa região, porque precisamos mesmo também de fixar os nossos melhores e de não os deixar sair. Só assim é que cada uma destas instituições vai responder a cada um desses desafios.

ODigital.pt (OD) – Há pouco falava-se em grandes investimentos, mas a área social vai ser também muito importante nos próximos anos.

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Sim a economia social é fundamental no nosso ecossistema e naquilo que é o nosso território. Nós percebemos bem e este quadro tem sido muito importante, tem alavancado grandes investimentos na área social, mas o que temos que fazer, é no futuro, poder ter respostas inovadoras e abordagens distintas e, por isso, é que falei ainda há pouco na inovação social que inaugura também este capítulo. O PRR tem tido avisos agora precisamente para as respostas inovadoras, até porque a comissão já tinha sinalizado o PRR a nível de fundos comunitários estabelecendo uma linha vermelha em relação a aquilo que é o paradigma da desinstitucionalização e, por isso, o que nós vamos ter que fazer é, em conjunto com a economia social, encontrar respostas novas. Vamos ter que medir a demografia, vamos ter que perceber e fazer estudos prospetiva para perceber como é que a população vai evoluir, mas também que necessidades é que os utentes de amanhã das instituições que podem ser utentes, que a partir da sua casa têm todo o tipo de cuidados e de apoios sociais, isto é, os utentes ou aqueles que vão necessitar de cuidados no futuro, vão claramente precisar de novas respostas e é isso que nós temos que fazer aqui. Quando dizemos que a inovação social é fundamental no Alentejo nos próximos anos é porque queremos, com os parceiros, estabelecer novas políticas sociais também para o território.

“Sou um defensor da regionalização e é um tema que defendem todos os fóruns”

ODigital.pt (OD) – Nesta nossa conversa tem falado muito em parcerias, parceiros e em redes, é importante para o Alentejo que haja um trabalho conjunto?

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – É fundamental. Eu acho que o maior prazer que tenho no desempenho destas funções é poder sentar à mesma mesa parceiros de setores diferentes e construir projetos em comum e eu acho que esse continua a ser um desafio enorme na definição de políticas públicas e o Alentejo cada vez mais vai ter que se posicionar assim. Eu sendo um defensor da regionalização e é um tema que defendem todos os fóruns, aquilo que defendo é que a região deve ter cada vez mais poder para definir o seu futuro e isso só se faz com gente fortes e com linhas concretas. Nós estamos numa altura em que não podemos ter 300 projetos de bandeira, eu acho que o Alentejo tem que alinhar quatro, cinco grandes projetos, tem que se bater por eles e tem que criar em cada um desses projetos efeitos multiplicadores. Vamos recuar ao Alqueva. O Alqueva foi claramente um fator decisivo de criação de economia na região e por isso que nós temos que ter mais Alquevas em todas as áreas e também em áreas onde temos menos força quando falamos na estratégia de especialização inteligente, definimos claramente que a inovação tem que ter, tem que ter uma resposta a nível da definição das políticas públicas e para isso precisamos de ter agentes fortes e mobilizados. As empresas têm aqui um papel fundamental. Nós temos alguma dificuldade em ter nas empresas incorporação de inovação e nós queremos superar isso, temos que pôr as empresas, as universidades, os centros científicos a falar e poderem desenvolver projetos em comum. São estes triângulos que se vão fazendo e que no final de uma malha de desenvolvimento que nós queremos trazer para cima da mesa.

“Nós temos no Alentejo fatores diferenciadores que temos de aproveitar”

ODigital.pt (OD) – Tem falado muito em inovação, mas em cima da mesa, nos próximos anos vai estar a transição energética.

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Sem dúvida, porque nós, a nível estratégico, já tínhamos aquilo que não é só a eficiência energética, mas muito a transição energética da região como um alinhamento decisivo. Mas claramente, depois da guerra na Ucrânia, passou a ter uma força preponderante. Nós temos no Alentejo fatores diferenciadores que temos de aproveitar, naquilo que são as três grandes linhas da estratégia que a Comissão Europeia tem chamado de REPowerEU, nós temos claramente condições para ter níveis de eficiência energética maior, porque percebemos que ainda há um largo caminho. Temos capacidade para produzir energia renovável com muito poucas regiões têm na Europa, porque temos um mix entre sol e água que tem de ser aproveitado e depois temos que diversificar as nossas fontes de energia. E, por exemplo, quando passa aqui a conduta de gás natural, temos que perceber e ter a ambição de colocar também hidrogénio. Temos de ter pontos estratégicos e o PRR tem respondido a isso, mas é importante que a região se posicione para um grande alinhamento, não só na energia verde, mas também na combinação deste mix de políticas que vão desde a eficiência energética até a diversificação das fontes de energia.

“Estamos neste momento com uma taxa de execução próxima dos 70%”

ODigital.pt (OD) – Já falámos um pouco das suas ideias para a região, ia agora para o Alentejo 2020 que está agora a fechar o dossiê e por isso perguntava-lhe como está a execução?

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Temos trabalhado muito para que se prossiga algo que tem sempre acontecido, é que o Alentejo não perca 1 €, não perca 1 cêntimo e esse é o nosso grande alinhamento. Nós estamos neste momento com uma taxa de execução próxima dos 70%. Queremos fechar próximo dos 80 e isso são 100 milhões €, isto é, nós temos que ter a capacidade juntamente e, volto a frisar, com os parceiros, com aquilo que são os beneficiários públicos e privados de executar este valor até ao final do ano. É exigente, mas esta casa, este programa, tem pessoas também com uma extraordinária experiência que junto de cada um dos beneficiários, tem feito um trabalho muito importante em áreas muito concretas. Nós percebemos que no turismo existem dificuldades, por exemplo, ao nível da construção, como existem noutros sectores e então vamos ter que ir junto dos parceiros e é isso que estamos a fazer, percebendo junto dos parceiros públicos as dificuldades de haver um concurso de desertos ou a revisão de preços e é essa flexibilidade que temos que ter para conseguirmos ter este valor executado até final do ano, para que no próximo ano possamos trabalhar para não perder 1 cêntimo para a região e para maximizar nos também os efeitos dos impactos positivos que os fundos comunitários alavancam na nossa região.

ODigital.pt (OD) – Ainda assim a crise que atravessamos veio dificultar muito a conclusão dos projetos até final do ano como se pretende…

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Veio, porque não só houve uma reconfiguração das cadeias de distribuição, mas os efeitos na inflação são muito difíceis de acomodar quando se tratam de fundos comunitários, porque, naturalmente, naquilo que é o ciclo de candidatura, os beneficiários fazem um projeto, apresentam a sua candidatura com base em valores e pressupostos que, de um momento para o outro, se alteraram de forma decisiva e por isso é que a Autoridade de Gestão e o presidente Ceia da Silva têm tido essa proximidade junto dos beneficiários para encontrar as melhores soluções, seja pela revisão de preços, seja pelo próprio alargamento temporal de alguns projetos, procurando que possamos não perder muitos projetos e isso é decisivo, mas que nos possamos também concentrar em quem está em boa execução. Isto é, mesmo dentro deste contexto que se transfigurou imenso. Nós temos ainda parceiros que conseguem ter muito boa execução e é para esses também que temos que ter aqui uma equipa extraordinária, preparada também para os apoiar.

ODigital.pt (OD) – Depreendo das suas palavras que tem boas perspetivas para o final deste quadro comunitário…

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Estamos muito otimistas, percebemos que é exigente. Todos os dias temos dezenas de reuniões com beneficiários. Estamos a preparar também muitas idas ao terreno para perceber como é que está a execução. Têm sido feitas muitas reuniões, por exemplo, com organismos intermédios, com comunidades intermunicipais, que são decisivas para alavancar a execução. Mas eu diria que estamos com boas expectativas de manter este ritmo de execução.

“O 2030 é um programa que não só não perde dotação, como a aumenta”

ODigital.pt (OD) – Está a encerrar-se o 2020, vem aí o 2030, qual é a sua expetativa paras as negociações que estão a decorrer?

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Sobre as negociações? Elas têm sido difíceis. Já tivemos dois momentos formais com a Comissão Europeia e esperamos que muito rapidamente possamos submeter o programa final para o mesmo ser aprovado. Mas destacava aqui um momento que foi muito importante e que para nós significa muito, que foi todo o período de consulta que fizemos, isto é, ouvimos dezenas de parceiros de peritos. Tivemos dois processos de avaliação do nosso programa e culminou com a consulta pública que esteve aberta até 8 de setembro e na qual recolhemos também bons e largos contributos. Este processo que começou precisamente com uma definição estratégica, mas que passou também pela auscultação daquilo que foram as dezenas de reuniões que tivemos, foi muito importante, isto é, os nossos parceiros deram-nos força para nós podermos negociar melhor com a Comissão Europeia. Essas negociações estão a decorrer, existem campos técnicos muito complexos que ainda vão ter de ser também fechados, mas queremos prosseguir com aquilo que foi uma conquista para todos, que é um programa que não só não perde dotação, como a aumenta e que possa corresponder ao máximo de desafios da nossa, da nossa região, tendo a demografia, volto a frisar, como seu principal ponto.

ODigital.pt (OD) – E mais uma vez voltou a parceiros…

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – É porque só existe um Alentejo e existindo um Alentejo tem que haver um programa que responda às suas aspirações, isto é, um Alentejo com especificidades muito diferentes, mas que possa ter efeitos e impactos multiplicadores no seu processo de desenvolvimento. Por isso é que nós, nas nossas negociações, introduzimos às vezes questões muito complexas daquilo que é a nossa especificidade, daquilo que são até as nossas tradições ou daquilo que são, daquilo que é a nossa rede e malha de empresas. E isso é muito importante, também a própria Comissão Europeia poder ver daquilo que é a nossa realidade e é assim que se constrói verdadeiramente política pública.

ODigital.pt (OD) – No despacho emitido, foi justificada a sua nomeação com “o volume acrescido de trabalho nos últimos anos”, isto significa que a dinâmica do Alentejo tem vindo a crescer?

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Isso mede-se o ano de execução ou aquilo que foi o ano de execução de 2021 que foi um dos melhores anos de execução ao nível do quadro comunitário e por isso nós percebemos que estando a aproximar do final, mas havendo aqui um abrir de janela para o 2030 e há um dado que é seguro que é no início do ano nós vamos ter avisos do 2030. Vai haver aqui, não só um aumentar continuo que se tem sentido do ritmo de execução, mas claramente vão ver aqui programas a correr em paralelo e é para isso que nós temos que dar respostas ao nível dos sistemas de informação, ao nível da preparação das nossas equipas, ao nível daquilo que é também a abordagem com os com os nossos beneficiários e por isso este volume de trabalho de facto está a aumentar e ainda bem que está a aumentar e nós sentimos que existe uma grande expectativa, havendo uma grande expectativa e sinal que o Alentejo se está a desenvolver, que existem bons, extraordinários e exemplos pelos quais nós temos que lutar todos os dias.

ODigital.pt (OD) – E essa dinâmica que existe no Alentejo é de qualidade, ou seja, há projetos de qualidade a serem apresentados e o próximo quadro comunitário certamente vai exigir ainda mais qualidade

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Vai, o grau de exigência ao nível das especificidades ambientais, mas também da demonstração daquilo que é esse efeito inovador, de facto, vai, vai aumentar, mas nós também sentimos e percebemos que os parceiros se têm capacitado, isto é, nós hoje temos um conjunto de empresas que são líderes de ponta em determinadas áreas. Nós hoje temos investigação no nosso território, que é reconhecida internacionalmente. Nós hoje, na área social, temos exemplos também extraordinários na cultura e nós, quando estamos a concorrer a Capital Europeia da Cultura estamos claramente a dizer que nos queremos posicionar e que existe aqui uma cadeia de valor que nós queremos dar resposta e que vamos dar resposta. Por isso, quando olhamos para estes exemplos são exemplos muito concretos do nosso posicionamento. Qual é a nossa missão? Maximizar esses investimentos, criar efeitos multiplicadores, tirar o maior proveito e com isso, no final dia, feitas as contas, fixar mais pessoas e atrair talento.

ODigital.pt (OD) – O arquiteto Nuno Teotónio Pereira deixou uma marca indiscutível. Que marca quer o Tiago deixar no território com as decisões que a partir de agora vai tomar?

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Agora. Isso é um, de facto, um aspeto que acabamos por refletir muitas vezes. Mas eu já falei aqui da regionalização e se calhar uma das grandes bandeiras que o meu avô prosseguiu foi de facto a regionalização. Bateu se muito, andou pelo país, sendo ele de Lisboa, mas percebendo bem, porque teve desde cedo aquela casa em Marvão, no qual eu tive o privilégio de ser registado e de crescer, por aquilo que é o poder das regiões defenderem o seu futuro. Eu acho que se puder prestar, nem que seja um décimo daquilo que ele emprestou nesta causa, eu acho que estou a prestar um bom serviço a todos os nossos cidadãos.

“Eu nunca me esqueço do sítio onde vim”

ODigital.pt (OD) – Para terminar, o Tiago veio ocupar um lugar deixado vago por Hélder Guerreiro que, há um ano venceu as eleições autárquicas em Odemira, o que lhe perguntava é se há aspirações políticas suas após este cargo de Vogal?

Tiago Teotónio Pereira (TTP) – Neste momento há um grande e decisivo desígnio que é a gestão dos fundos comunitários na região e é nisso que eu me quero concentrar, tendo presente que cada um percorre o seu caminho. Nós, quando olhamos para aquilo que são determinados percursos, temos que sempre ter presente: “Onde é que essas pessoas começaram?” E eu nunca me esqueço do sítio onde vim.

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