O diretor do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), Paulo Baptista, defendeu em Vila Viçosa uma maior proximidade entre os arquivos e os cidadãos, afirmando que a instituição pretende deixar de ser vista como um espaço reservado apenas a investigadores e académicos.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, à margem do 3.º Encontro Transfronteiriço de Arquivos, o responsável explicou que a presença da Torre do Tombo em Vila Viçosa integra uma estratégia para levar a instituição a diferentes regiões do país.
Torre do Tombo quer sair de Lisboa
Paulo Baptista revelou que, paralelamente ao encontro internacional de arquivos, decorreu em Vila Viçosa o primeiro evento da iniciativa “Torre do Tombo Fora de Portas”, um projeto que pretende aproximar o Arquivo Nacional da população.
“Se as pessoas não têm possibilidade de ir à Torre do Tombo, em Lisboa, a Torre do Tombo vem ter com elas”, afirmou.
Segundo o diretor, a escolha de Vila Viçosa não foi casual. A riqueza patrimonial e histórica do concelho tornou-o o local indicado para lançar esta iniciativa.
“Considerando a importância histórica de Vila Viçosa, uma vila que respira história em cada pedra, em cada canto, em cada esquina, pensámos que não poderia haver melhor local para a realização deste primeiro encontro”, referiu.
Mudar a imagem dos arquivos
Para Paulo Baptista, um dos principais desafios passa por alterar a perceção que muitos portugueses ainda têm dos arquivos.
O responsável considera que estas instituições continuam a ser vistas como espaços fechados e dirigidos essencialmente ao meio académico.
“Queremos desconstruir essa imagem”, afirmou, explicando que a Torre do Tombo pretende tornar-se “acessível a todos os públicos” e deixar de ser encarada como um espaço exclusivamente destinado a investigadores.
Nesse sentido, a estratégia passa por abrir a instituição a diferentes faixas etárias e perfis de visitantes.
“Queremos que a Torre do Tombo chegue a todos os públicos, do infantojuvenil ao sénior, do académico ao cidadão comum”, sublinhou.
O diretor acrescentou ainda que essa preocupação inclui igualmente pessoas com limitações físicas ou cognitivas, reforçando a necessidade de tornar o património documental acessível a todos.
Uma iniciativa para continuar
A deslocação da Torre do Tombo a Vila Viçosa deverá ser apenas o primeiro passo de um projeto que a instituição pretende consolidar.
Paulo Baptista revelou que a intenção é levar esta iniciativa a outras regiões do país.
“Queremos também que a Torre do Tombo chegue a todos os locais do país. É uma primeira iniciativa que queremos manter e desenvolver todos os anos, chegando a diferentes pontos do país”, afirmou.
A participação da Torre do Tombo no 3.º Encontro Transfronteiriço de Arquivos reforça também a importância da cooperação entre instituições arquivísticas portuguesas e espanholas na preservação da memória documental e na valorização do património histórico.


















