A cerimónia pública de assinatura dos termos de aceitação do Aviso «Inclusão pela Cultura» realizou-se esta tarde, no auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), assinalando o arranque formal de 44 projetos financiados no âmbito do Programa Regional Alentejo 2030.
Integrado no Alentejo 2030 e financiado pelo Fundo Social Europeu, o aviso representa um investimento global de 9 milhões de euros, com uma taxa de cofinanciamento de 85%. Inicialmente dotado de quatro milhões de euros, o apoio foi reforçado em cerca de cinco milhões face ao elevado número de candidaturas apresentadas e à qualidade técnica e conceptual dos projetos submetidos.
Em declarações aos jornalistas, o presidente da CCDR Alentejo, António Ceia da Silva, destacou que esta medida resulta de uma opção estratégica clara, assumindo a cultura como uma resposta estruturante aos desafios sociais da região. «Os problemas do envelhecimento da população, das desigualdades sociais, da exclusão ou do isolamento territorial não se resolvem apenas com respostas económicas ou infraestruturais. Exigem respostas humanas, culturais e participativas, capazes de envolver as pessoas e criar sentido de pertença», afirmou.
Resposta acima das expectativas levou ao reforço do financiamento
De acordo com o responsável, a procura superou largamente as expectativas iniciais, quer pelo número de candidaturas, quer pela diversidade de promotores e áreas de intervenção. «A elevada adesão demonstra a maturidade do tecido cultural e social do Alentejo e a sua capacidade para utilizar a cultura como verdadeiro instrumento de transformação social», referiu.
Perante este cenário, a Autoridade de Gestão do Alentejo 2030 decidiu reforçar a dotação financeira do aviso, permitindo apoiar projetos distribuídos por todo o território regional. «Foi uma decisão que traduz uma clara aposta na inclusão social pela cultura e no impacto positivo que estas intervenções podem gerar nas comunidades», sublinhou António Ceia da Silva.
No total, foram aprovadas 44 candidaturas que abrangem projetos dirigidos à infância e juventude, população idosa, pessoas com deficiência, famílias e comunidades em risco de exclusão social. As iniciativas assentam em práticas artísticas e culturais participativas, mediação cultural, melhoria do acesso à cultura e produção de conteúdos culturais acessíveis.
Cultura como eixo estruturante do território
O presidente da CCDR Alentejo reforçou ainda que este aviso não se limita ao financiamento de atividades culturais isoladas, assumindo antes uma visão integrada da cultura ao serviço de objetivos sociais concretos. «Estamos a falar de combater o isolamento, reforçar competências pessoais e sociais, promover a cidadania ativa, melhorar o acesso à cultura e valorizar a diversidade e as entidades locais. Trata-se de colocar a cultura ao serviço das pessoas e das comunidades», afirmou.
À margem da cerimónia, António Ceia da Silva sublinhou o papel central da cultura na afirmação do Alentejo ao longo das últimas décadas, considerando-a indissociável da identidade e do desenvolvimento regional. «A cultura foi um eixo fundamental do desenvolvimento do Alentejo nos últimos 50 anos. Falar do Alentejo sem falar de cultura é omitir a nossa essência, as nossas raízes e aquilo que fez a diferença para a região ser hoje o que é», afirmou.
Segundo o responsável, a valorização cultural foi determinante para a dinâmica económica e social da região, incluindo na consolidação do Alentejo como destino turístico. «Sem a base cultural e identitária do território, não teria sido possível criar o percurso que foi feito», acrescentou.
A cerimónia marcou assim um momento simbólico de compromisso entre o Programa Regional Alentejo 2030 e as entidades beneficiárias, dando início à implementação de projetos que procuram reforçar a coesão social, a participação cívica e a inclusão, através da cultura, em todo o território alentejano.





































































