O Comandante do Comando Territorial da GNR de Évora, Coronel Paulo Poiares, confirmou que o distrito deverá fechar o ano com um ligeiro aumento da criminalidade, cerca de mais 100 crimes face a 2023. Os números ainda são provisórios, mas apontam para cerca de 3000 crimes.
Segundo o comandante, “é um número semelhante ao do ano passado”, embora com mudanças importantes na dinâmica criminal. O destaque vai para o aumento das detenções em flagrante delito, impulsionadas pela maior intervenção das patrulhas.
“Temos conseguido efetuar detenções no terreno”
Paulo Poiares explica que a ação operacional tem sido decisiva, pois “temos conseguido efetuar detenções no terreno, nomeadamente no furto de animais, de produtos agrícolas, de cortiça, de azeitona e também de metais não preciosos”.
“Ficámos também com o grupo de indivíduos que andava a cometer roubos a bancos a nível nacional e que foi detido aqui no distrito, quando tentavam consumar um roubo”, afirmou.
O crime deixou de ser local
“A criminalidade já não é uma questão local. A mobilidade permite trazer indivíduos de fora, como aconteceu com os roubos praticados por pessoas que não eram da região”, explicou.
Por isso, a GNR tem reforçado a prevenção. “Estas situações obrigam a estratégias de prevenção e proximidade para responder atempadamente”, destacou.
Burlas tecnológicas crescem há três anos
As burlas continuam a aumentar. O comandante confirma que “foi um dos crimes que mais aumentou proporcionalmente nos últimos três anos”.
Segundo o Coronel Paulo Poiares, parte da explicação está no comportamento das vítimas. “As pessoas não se sabem prevenir. Continua a acontecer a história do pai ou da mãe, ou a compra de produtos online que nunca chegam”, alertou.
O coronel lembra que muitos golpes exploram pagamentos antecipados. “Há sites de particulares que nunca enviam os bens. As pessoas pagam e são enganadas”, lamenta.
Acidentes mortais aumentam com turismo
A sinistralidade rodoviária também preocupa. Segundo o comandante, “este ano já vamos com dez mortos no distrito, relacionados com acidentes de viação”.
Grande parte dos acidentes poderia ter sido evitada.“São despistes e desatenções que podiam ser salvaguardados se houvesse maior respeito pelas regras rodoviárias”, afirmou.
O aumento de visitantes e de circulação é outro fator a ter em conta.“O aumento do turismo e da mobilidade contribui para o crescimento dos acidentes”, explicou.
“Gostaria de ter zero crimes, mas sabemos que isso nunca será possível”
Apesar dos indicadores, Paulo Poiares garante que a Guarda está a trabalhar com eficácia. “O aumento está relacionado com a nossa proatividade. É sinal de que estamos mais atentos e a responder melhor”, referiu.
Contudo, a ambição máxima mantém-se. “Gostaria de ter zero crimes. Todos gostaríamos. Mas sabemos que nunca iremos atingir esse objetivo”, reconheceu.
Infraestruturas prioritárias: Viana do Alentejo, Borba e Vila Viçosa
O comandante identificou três postos como prioritários. “As principais preocupações são os postos de Viana do Alentejo, Borba e Vila Viçosa. Precisam de adaptação ou de um edifício novo”, afirmou.
As soluções já estão a ser estudadas. “Esperamos que sejam concretizadas. Dentro de dois ou três anos, estes postos deverão estar em funcionamento”, adiantou.
Recursos humanos usados “com máxima eficiência”
Quanto aos efetivos, Paulo Poiares é claro. “Como comandante, gostaria de ter mais recursos humanos. Mas compete-me utilizar os meios disponíveis de forma eficiente e eficaz”, disse.
E garante que os resultados falam por si. “Com o mesmo ou com menos recursos, temos feito mais atividade e mais resultados operacionais”, sublinhou.


















